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 Encontro com a Tradição

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AutorMensagem
Pedro Lopes

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Número de Mensagens : 117
Data de inscrição : 22/07/2008

MensagemAssunto: Encontro com a Tradição   Ter Jan 06, 2009 3:56 pm

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lino mendes
Admin


Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: ENCONTRO COM A TRADIÇÃO   Qua Jan 07, 2009 8:10 pm

MONTARGIL
Encontro com a Tradição
Jornadas de História e Património Local

Tema: O Povo Ratinho

“Mesa-Redonda/Colóquio
Dia 24 de Janeiro 2009
Casa do Povo—Das 14 às 17-17 30

Presença (entre outros) do escritor Adriano Pacheco, do Dr. Aires Henriques (Presidente da Casa de Pedrógão Grande—Lisboa) e do EngºJoão Coelho

Das 15,30 às 16 horas, actuação da “Banda da Escola de Música de Montargil”

Aberta à participação de todos os interessados

Montargil:
A par dos Gaibéus e dos Caramelos, os “Ratinhos” eram trabalhadores que vindo em especial das Beiras estiveram no Alentejo, no Ribatejo e na Extremadura Espanhola, tentando a par dos maiores sacrifícios auferir rendimentos que nas suas terras de origem escasseavam. Até Montargil não chegaram Gaibéus nem Caramelos, mas os Ratinhos aqui estiveram e por aqui passaram, mas pouco se sabe sobre a sua permanência.
Lendo Adriano Pacheco, habituei-me a admirá-los como “um povo abnegado sem eira nem beira”, como” homens simples, em cujos olhos bailava a ternura e que na dor aprenderam a sussurrar a palavra amor” Trata-se de “ um povo que passou mas o rasto da sua memória colectiva vagueia na terra para sempre”

Entretanto Luís Coelho Albernaz, que “viveu de perto o drama destes sáfaros que largando pai, mãe, mulheres e filhos se lançavam à aventura do quase desconhecido na esperança fugaz de uma vida melhor. Iam com as mãos vazias e traziam-nas cheias de nada, iam saudáveis e vinham com paludismo”. E “era esta a vida dos “Ratinhos, que depois de oito meses, traziam oitocentos escudos, que mal davam para pagar a despesa feita pelas mulheres na mercearia”.

Por sua vez, Heitor Consciência (Jornal Primeira Linha— Abrantes) diz-nos que”desciam das montanhas e investiam com denodo as searas alentejanas ou ribatejanas---onde lhes chamavam galegos, serrenhos, beirões ou barrões”.
“Vinham das Beiras a pé, formando colunas, com mochila e pau às costas, cantando cantigas beirãs”.
“Ou vinham de burro”.
Foram sempre bem recebidos e com agrado acolhidos pelos alentejanos e pelos ribatejanos”.

Quanto ao sempre bem recebidos, não diz o mesmo José Saramago no seu livro”Levantado do Chão”, em que nos descreve um confronto entre ribatejanos e ratinhos, que na opinião dos primeiros vinham do norte para “roer o pão deles, de quem já cá estava” Ao que parece haveria trabalho para todos, mas era mão-de-obra mais barata que não permitia aos locais fazer determinadas exigências.
No entanto, em livros ficcionados, lamentavelmente os escritores brincam por vezes com a História. Que credibilidade nos deve então merecer esta passagem de um romance considerado dos mais fundamentais de Saramago? Sinceramente estamos convicto que é um retrato da realidade, tanto mais que o autor pretendia que o mesmo fosse”um livro sobre o Alentejo”.

Uma questão muitas vezes colocada é o “porquê” da designação de “ ratinhos”.Eles chamam-nos ratinhos porque acham que nós somos muito mexidinhas como os ratos, desbaratamos tudo o que aparece: trabalho, comida e balhamos quando é preciso” (palavras do ti Bira no livro
O POVO RATINHO)Depois, acrescentamos, todos vestidos por igual de uma cor acinzentada…
Quanto à sua passagem por Montargil ,pouco se sabe de concreto:
1)-O ti António Carqueja que recentemente morreu quase com 92,apenas se lembrava de ,quando criança ,os ver chegar de burro à Charneca;
2)-Uma senhora também agora falecida, com 94, tinha apenas a vaga ideia de que faziam muitos sacrifícios para poupar, de maneira que quando temperavam a comida o faziam com um gesto brusco, de maneira a que caísse pouco tempero;
3) -Presume-se que a moda do Malverde tenha aqui sido deixada pelos ratinhos da aldeia de Valverde;
4) -Conta-se que os que por aqui passavam ou aqui ficavam a trabalhar, e que eram devotos do Senhor das Almas, ao passarem por um “nicho” existente num sobreiro com a respectiva imagem, deixavam as suas esmolas e levavam pedaços de cortiça para lhes dar sorte.
No sítio do sobreiro existe hoje uma Ermida, e é frente à mesma que se realiza o arraial da Romaria do Senhor das Almas.
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Antonio Mendes



Número de Mensagens : 823
Data de inscrição : 24/07/2008

MensagemAssunto: Re: Encontro com a Tradição   Ter Jan 20, 2009 12:28 pm

Para a maioria das pessoas, este tema não dirá nada, ou até será uma "seca", no entanto o Grupo de Promoção continuará a "lutar" para manter bem vivas as nossas tradições, daí a importância deste debate/mesa redonda.
Dia 24 de Janeiro(sabado) venha até à Casa do Povo e ficará mais enriquecido, como também enriquecerá mais esta iniciativa.

Desde já os nossos agradecimentos à Junta de Freguesia de Montargil por toda a colaboração, bem como à Escola da Banda de Música de Montargil que irá "abrilhantar" a iniciativa.
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lino mendes
Admin


Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: o povo ratinho   Ter Jan 27, 2009 8:55 pm

Em Montargil



Encontro com a Tradição

Jornadas de História e Património Local



Tema: O Povo Ratinho

O fenómeno das migrações sempre foi o reflexo da falta de trabalho nas terras de residência, e foi isso que levou a que elevado número de beirões, a pé ou de burro se metessem a caminho e nos vastos campos do Ribatejo e do Alentejo ---e mesmo da Extremadura espanhola--- procurassem a sua subsistência Era gente simples , necessariamente submissa, que não vergava face ao mais duro dos trabalhos, não obstante os miseráveis quartéis em que pernoitavam e à por vezes desumana alimentação. Trabalhar era o verbo que conjugavam sem hesitações. Poupar, um ponto de ordem de que não abdicavam.

Dizia uma senhora que morreu recentemente com 94 anos, que ao temperarem a comida o faziam com um gesto rápido de maneira a que caísse pouco tempero, e contam-me agora que ao começarem mais tarde a fazer o caminho de comboio, a fim de pouparem no bilhete iam a pé até à próxima estação, e se apeavam antes de última

.Há quem afirme que sempre foram bem recebidos onde quer que chegassem, mas não seria bem assim, pois quer fossem ratinhos, gaibéus ou caramelos, era mão de obra mais barata que inclusivamente não permitia aos locais avançar com algumas reivindicações. Aliás, referem-no José Saramago em Levantar-se do chão e Alves Redol em Gaibéus

Entretanto diz-nos o Dr. Aires Henriques, que ” nem tudo foi necessariamente mau. O convívio com outras terras e gentes alargou os seus conhecimentos e postura de vida .Ali aprenderam também a divertirem-se com as modas colhidas junto de uns e outros camaradas de função,.fossem eles caramelos, galegos, avieiros, varinos, minhotos ou pica-milhos, vindos das mais diversas zonas do país, As músicas e cantigas “que por lá assimilavam” oriundas do rico folclore do Norte, “ cantavam-nas depois nas suas terras, muito orgulhosos pela novidade que transmitiam.”

São estes os vestígios de vivências que tiveram e de experiências que ajudaram a crescer, as quais ainda hoje se encontram e se ouvem nos sons das concertinas” da região, repassadas destas memórias”, que marcam” de modo indelével uma época historicamente difícil.(As andanças dos “Ratinhos” por terras de Espanha, Alentejo e Borda d Água)


De qualquer modo, e em meu entender, a imagem dos ratinhos legada à posteridade não será a mais correcta, pois foram gente que ajudou a desbravar os nossos campos, a encher os nossos celeirosE não eram uns coitadinhos, pois bastantes por aqui se fixaram, aqui constituíram família, e descendentes seus vêm, aos mais diversos níveis, ocupando cargos de alta responsabilidade. Em meu entender, a imagem do trabalhador mal vestido, que não precisa de se lavar, que se alimenta mal e não puxa pelos miolos, não corresponde totalmente à verdade.


Creio que não está feito um estudo sociológico sobre esta gente “sem eira nem beira”, em “cujos olhos bailava a ternura e que na dor aprenderam a sussurrar a palavra amor” (Aires Henriques). E um passo em frente poderá ter sido dado agora em Montargil, (24/01/09) quando na Casa Regional de Pedrógão Grande e o Grupo de Promoção de Montargil se juntaram para precisamente falar do Povo Ratinho E um interessado grupo de pessoas (20 ) esteve atento e conversou sobre um assunto já de aliciante, e que mais enriquecedor se torna quando, como agora. vêm até nós conversar, pessoas de elevada estatura cultural , e com interesse e já algum estudo da matéria:

escritor Adriano Pacheco, Dr.Aires Henrique (Presidente da Casa de Pedrógão Grande,),Engº João Coelho(Vereador do Município de Pedrógão Grande),Fernando Coelho(que trabalhou como ratinho na região de Tomar) e Dr.Ludgero Mendes(personalidade bem conhecida no mundo ribatejano da cultura e não só)

À memória e à verdade na História devemos um estudo mais profundo sobre a existência do Povo Ratinho.

À Margem
………Estiveram presente, igualmente participando, o Presidente da Junta de Freguesia (prof. Correia Constantino) que apoiou a iniciativa , e o Vereador do Município de Ponte de Sor(professor Luís Laranjeira);

………Não obstante algum frio, a Sala estava acolhedora e ornamentada a condizer com o evento ,merecendo algumas referências elogiosas ,inclusivamente do senhor Vereador.

Vereador;

………Comemorativo deste “Encontro” ,Aires Henriques fez editar, de sua autoria ,um pequeno mas significativo livro intitulado “ As Andanças dos “Ratinhospor terras de Espanha, Alentejo e “Borda d Água”que nos remete ainda para oportunas referências bibliográficas;

………A “Banda da Escola de Música de Montargil”, uma associação-irmã pois do GP nasceu, novamente deu a sua colaboração.

………..Este Encontro com a Tradição constituiu as Jornadas de História e Património Local,.E foi também a comemoração(não oficial)dos 638 anos da elevação de Montargil a Vila.

……….Neste momento trabalha-se no sentido de que este projecto, de título provisório “ Por caminhos do Povo Ratinho”,possa constituir uma parceria tripartida, com a adesão da Associação Além Guadiana de Olivença

……….Em marcha a publicação de um pequeno livro sobre os caminhos e as vivências deste povo.





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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: Re: Encontro com a Tradição   Qua Jan 28, 2009 1:48 pm

Foi sem dúvida uma tarde interessante.
Dentro do possivel, a organização dos eventos tem tentado "arranjar" a sala de uma forma a condizer com os mesmos. Foi gratificante ouvir elogios à sala(parece que a mesma já não tem tanta necessidade de ser destruida, como se vai dizendo....). Para esta actividade teremos de agradecer à Florita Iris pela "ajuda" que deu para a tornar agradavel a quem nos visita.
Dia 24 de Janeiro foi um dia com muita actividade em Montargil, só foi pena que as mesmas não se "coordenassem" por forma a não coincidirem umas com as outras....
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