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 EM NOME DA HISTÓRIA

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lino mendes
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MensagemAssunto: EM NOME DA HISTÓRIA   Sex Fev 24, 2012 7:14 pm

DOIS ARTIGOS MAIS SOBRE OLIVENÇA NO BLOGUE "AVENIDA DA LIBERDADE", DO DEPUTADO RIBEIRO E CASTRO



Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

ARTIGO 1////Olivença - talvez lá volte



Vou contar um episódio, também pendente desde 2010. Vem do tempo em que fui Presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, na Assembleia da República.

Do processo de desanuviamento pragmático que se desenvolveu em Olivença e naExtremadura espanhola, sobretudo nos últimos dez anos, resultou a formação de uma interessantíssima associação oliventina, a "Além Guadiana". Dedica-se justamente, no território do Ayuntamiento e na região, a reavivar a memória portuguesa sem pisar os terrenos hiper-sensíveis do diferendo fronteiriço entre os dois Estados: honra à História, serviço à população, verdade e memória na Cultura pareciam ser os seus propósitos generosos e desinteressados - e, por sinal, bem dinâmicos.

Conheci-os em finais de 2010, no quadro da tramitação final de uma petição antiga sobre a questão de Olivença, que nunca chegara a ser cumprida: a Assembleia da República recomendara (salvo erro, em 2005) que o ministro dos Negócios Estrangeiros fosse ouvido sobre a matéria, o que nunca ninguém cumprira. E, sendo eu Presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros, decidi agarrar na pendência e dar-lhe sequência: recebi o GAO (Grupo dos Amigos de Olivença) para actualizar os dados do problema, fui informado da "Além Guadiana" (que também nos procurara por outra via), recebi e escutei atentamente os projectos e propósitos da "Além Guadiana" e apresentei o caso à Comissão.

Foi decidido, com toda a discrição e recato, ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros (então, Luís Amado) sobre o problema, o que veio a ser feito na audição regimental seguinte - salvo erro de memória, em final de Setembro de 2010. Da audição, que foi bastante franca, objectiva e equilibrada, resultou a orientação consensual de que a Comissão de Negócios Estrangeiros não deveria receber a "Além Guadiana" em audiência, nem visitar Olivença, como era procurado, a fim de não suscitar um problema político-diplomático de curso absolutamente incerto e conveniência política duvidosa. Isto sem prejuízo de se reconhecerem as vantagens e os benefícios de serem continuados, no terreno, por parte de quem o quisesse, os esforços de "desanuviamento" e de reafirmação da identidade cultural própria de Olivença, como era prosseguido pela "Além Guadiana" e outros. Foi nomeadamente admitido, por conseguinte, que cada partido ou os deputados individualmente fizessem o que muito bem entendessem. A reserva consensualizada foi apenas, nesse contexto, relativamente a quaisquer iniciativas abertas da Comissão de Negócios Estrangeiros, que, sendo um órgão parlamentar oficial, inevitavelmente elevaria a questão para o plano sensível das relações entre os dois Estados.

Este rescaldo foi comunicado por mim ao GAO, a quem, pessoalmente, transmiti também algumas sugestões, quando à forma como alguns oliventinos poderiam tentar reaver a nacionalidade portuguesa, se assim o desejassem. E havia também ideias de que oliventinos ou instituições suas pudessem solicitar o estatuto de observadores na CPLP, matéria cuja sequência desconheço. Por outro lado, a delicada situação política que se vivia em Portugal por causa da crise financeira, o OE 2011, os PEC sucessivos, a dissolução da Assembleia da República, a vinda da troika, impediram continuidade imediata do assunto de Olivença por minha parte.

Conheço Olivença. Já lá estive duas ou três vezes, há muitos anos já. É uma vila bonita.

Fiquei de lá voltar, no quadro daquele diálogo, em 2010, com a "Além Guadiana", como descrevi acima. Depois, nunca pude cumprir esse desejo e intenção, por causa de outras prioridades que se atravessaram. Talvez lá volte agora.

Gostei muito da Associação "Além Guadiana" e fiquei com grande admiração e estima pelos seus membros. Velhas raízes, novas gerações.

____________________________________________
ARTIGO 2//OLIVENÇA É NOSSA!!!!

Do ponto de vista jurídico, a questão não oferece dúvidas: Olivença é uma terra portuguesa e o seu território português. A pertença de Olivença a Portugal está reconhecida desde o século XIII, pelo Tratado de Alcañices (1297). Remonta ao período da Fundação e à repartição fronteiriça com os nossos vizinhos, desde os tempos da Reconquista: a retoma do Sul da península aos mouros, concluída no século XV.

Olivença foi ocupada ilegalmente por forças espanholas, no quadro de várias refregas fronteiriças que ocorreram entre os dois países, nas fronteiras Minho/Galiza e Alentejo/Extremadura, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX - o episódio, neste último caso, ficou conhecido como a "Guerra das Laranjas".

A razão portuguesa foi reconhecida, primeiro, no Tratado de Paris (1814) e, logo a seguir, no Congresso de Viena (1815), como a Espanha expressamente assinou e confirmou em 1817. Mas nunca cumpriu... e, ao longo dos anos, vários pretextos foram servindo às autoridades espanholas para arrastarem a situação de facto, incumprindo a obrigação perante a História e o Direito Internacional.

Certo é que Portugal não reconhece - nem pode, sob pena de traição - a posse de Olivença por Espanha. E o Tratado de Limites interrompe, por isso mesmo, a definição da linha de fronteira entre os dois países, na região de Olivença, desde o século XIX.

Houve, aliás, muita violência, nestes dois séculos de "entretanto", com tentativas espanholas de apagamento forçado dos registos das raízes portuguesas, incluindo nos nomes das famílias. A fase mais recente da repressão anti-portuguesa ocorreu no regime franquista. Mas, estando fora de causa recuperar Olivença manu militari, o problema só poderá, algum dia, ser resolvido por via diplomática e merece sempre ser tratado com bom senso político.

De iure Olivença é Portugal. De facto rege a Espanha.

Nos últimos anos, o ambiente local e regional tinha começado a mudar. E Portugal sempre tratou da matéria com honra, clareza e cautela, não abdicando de direitos próprios, mas não desencadeando questões que provocassem o Estado espanhol e abrissem contenciosos que não pudéssemos, depois, gerir e governar.

Tudo bem, até este novo alcalde decidir borrar a pintura. Como já escrevi, "festejar" a Guerra das Laranjas nas nossas barbas - e, como outros dizem, no território que tem as campas dos oliventinos mortos no enfrentamento militar de há dois séculos - é uma provocação tão gratuita como Isabel II ir, em Junho, a Gibraltar celebrar o seu Jubileu de Diamante: ¡Que Diós salve la Reina! Certamente que veríamos, em Gibraltar, Cameron e Rajoy... E que a imprensa espanhola saudaria, em peso, um tal gesto britânico.

Se o alcalde Bernardino Píriz quis ter o seu minuto de fama, já o conquistou. Não sei é se se aguentará no balanço. A questão que abriu não pode, agora, deixar de ser tratada ao nível a
dequado.

(Enviado por Carlos Luna)
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lino mendes
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MensagemAssunto: Ainda e sempre OLIVENÇA   Sab Fev 25, 2012 1:16 am



SOL, ARTIGO EM GRANDE DESTAQUE (Página 12)//24-Fevereiro-2012

Semanário SOL, grande divulgação em Portugal//24-Fevereiro de 2012 OLIVENÇA DESAFIA MNE RIBEIRO E CASTRO CRIA EMBARAÇO A PAULO PORTAS, LÍDER DO SEU PARTIDO PRIMEIRO, foi o P.S.. Agora, o caso sobe de nível. O Presidente da Comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros, José Ribeiro e Castro, desafia o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, líder do seu partido, a agir perante a «provocação» de Olivença em festejar a anexação daquele território português.
«Festejar" a Guerra das Laranjas em Olivença é uma coisa de flagrante mau gosto. Seria um pouco como a Rainha Isabel II ir celebrar a Gibraltar o Jubileu de Diamante», diz Ribeiro e Castro no seu blogue "Avenida da Liberdade".«Se o alcalde Bernardino Píriz quis ter o seu minuto de fama, já o conquistou. A QUESTÃO QUE ABRIU NÃO PODE, AGORA DEIXAR DE SER TRATADA AO NÍVEL OFICIAL»[maiúsculas que se usam aqui, mas não no texto original], pede, dirigindo-se ao Governo português.
Este é um assunto delicado para a diplomacia portuguesa. A anexação em
1801 nunca foi reconhecida pelo Direito Internacional, mas, na prática, Portugal também não quer abrir uma guerra diplomática com o país vizinho. O tema está fora da agenda diplomática com Espanha.
Nas últimas eleições autárquicas, em Maio de 2011, a Câmara de Olivença foi ganha pelo Partido Popular, que anunciou recentemente a intenção de fazer, em Junho, um espectáculo de reconstituição da Guerra das Laranjas. O PS não deixou passar em branco a iniciativa e apresentou na AR um requerimento, pedindo a Paulo Portas que impeça aquela reconstituição histórica, para evitar «uma ofensa gratuita para com as populações de Olivença e de outros municípios vizinhos em Portugal» Helena Pereira

suplemento humorístico semanal "INIMIGO PÚBLICO" (Jornal PÚBLICO), 24 de Fevereiro de 2012 DEPUTADOS DO PS QUEREM QUE O GOVERNO MANDE UMA CORVETA E UM SUBMARINO PARA OLIVENÇA O Partido Socialista não gostou dos planos do alcaide de Olivença para comemorar a Guerra das Laranjas de 1801, a batalha (?) que levou à anexação do território por Espanha, e reuniu o Estado Maior na "situation room" do Largo do Rato para decidir que passos dar a seguir. Segundo Tozé Seguro, todas as opções estão em cima da mesa, incluindo a nuclear (Maria de Belém Roseira), mas terá de ser o Governo PSD/CDS a decidir. "Estamos prontos a avançar sobre Olivença a partir da sede concelhia do PS em Elvas, se o governo nos der luz verde. Penso que, se conseguirmos com que o Navio Escola Sagres suba o Guadiana sem encalhar nos bancos de areia, talvez possamos acabar a campanha em menos de uma semana. Mas vejo o Passos Coelho de braços caídos, sem soluções e temo que iremos perder Olivença de vez, tal como Angola, Moçambique e a Madeira". FB

SEMANÁRIO "DIÁRIO DO ALENTEJO", 23 de Fevereiro de 2012 RECRIAÇÃO TEATRAL DA GUERRA DAS LARANJAS REABERTA POLÉMICA DE OLIVENÇA O Grupo dos Amigos de Olivença exortou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a solicitar a «anulação» da parte de Espanha da «megaprodução hostil» para comemorar a Guerra das Laranjas de 1801, prevista para aquela localidade.
«Queremos que, pelo menos, o ministro dos Negócios Estrangeiros exija, em termos frontais, a anulação dessa festa», reivindicou à Agência Lusa o presidente do Grupo dos Amigos de Olivença (GAO), Fernando Castanhinha.
O responsável do GAO falava à Lusa a propósito de uma iniciativa, prevista para Junho, que está a ser preparada pelo Ayuntamiento de Olivença (PP) para assinalar a Guerra das Laranjas.
O objectivo é fazer a recriação teatral daquele episódio histórico, ocorrido em 1801, quando Olivença foi anexada por Espanha.
Esta «megaprodução» já motivou mesmo uma pergunta assinada por seis deputados do PS, enviada, na sexta-feira, ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
Os deputados socialistas pediram ao Governo para tentar impedir a iniciativa, lembrando que o «assunto» de Olivença é «reconhecidamente delicado e tem-se revestido de cuidados especiais», para «evitar ferir susceptibilidades históricas e nacionais».
A pergunta está assinada pelos socialistas Maria de Belém Roseira, Alberto Martins, Paulo Pisco, Basílio Horta, Gabriela Canavilhas e Laurentino Dias.
Os deputados consideram que «seria avisado uma intervenção no sentido de impedir a realização da reconstituição da Guerra das Laranjas, para evitar melindres diplomáticos e nas populações de Olivença e nas de outros municípios vizinhos em Portugal».
Contactado hoje pela Lusa, o presidente do GAO saudou a iniciativa dos seis parlamentares do PS e defendeu que «esta megaprodução, que é hostil, deve ser anulada», merecendo a intervenção diplomática de Paulo Portas.
«O ministro devia ter uma posição muito mais activa. O mínimo que pode fazer é pedir pública e objectivamente, não de uma maneira sub-reptícia, clandestina ou em jogos de bastidores, a anulação da megaprodução», desafiou.
Para o GAO, que considera que, posteriormente, «a questão de Olivença deve ser posta em cima da mesa diplomática», a recriação histórica «é uma provocação».
«Vemos esta festa como uma tentativa de alienação da própria população de Olivença, porque a querem pôr a celebrar a sua derrota e a dos seus antepassados, e uma provocação à posição tradicional de Portugal, que não reconhece a `espanholidade' de Olivença», argumentou.
Sobre esta matéria, a Lusa telefonou também para o Ayuntamiento de Olivença, mas não foi possível contactar o alcalde Berdardino Píriz Antón.

JORNAL "TERRAS BRANCAS"/BORBA//23-Fevereiro-2012

ATÉ NAS REIVINDICAÇÕES HÁ FILHOS E ENTEADOS....
Parece que abriu a época das reivindicações históricas/territoriais.
Em 30 de Janeiro (de 2012, claro), Espanha reafirmava as suas pretensões a Gibraltar, afirmando responsáveis políticos do atual Governo que não seriam tão... digamos...benévolos... como o anterior executivo PSOE de Zapatero. Numa frase, "Gibraltar é Espanha!».
Entretanto, responsáveis argentinos insurgiam-se contra intentos britânicos em torno das Malvinas, e reafirmavam que as Malvinas eram território argentino usurpado. Em declarações a um periódico (2 de Fevereiro de 2012), o antigo Primeiro-Ministro argentino, Alberto Fernández, proferiu algumas declarações que talvez mereçam alguma meditação... nomeadamente em Portugal. Por exemplo, reafirmou que « A Argentina nunca deixou de reclamar a soberania das ilhas.». E acrescentou que « As Malvinas são um caso de usurpação internacional, e o facto de os usurpadores estarem há muito tempo num sítio não lhes dá direitos».
Os seus argumentos sobre a vontade dos autóctones é incisivo: « os autóctones das Malvinas não são tão autóctones como isso:são pessoas que os ingleses foram levando desde 1833, data da usurpação, até agora; obviamente, se usurpo uma casa, duas ou três gerações depois os meus descendentes vão dizer que a casa é deles; não é um bom
argumento: é quase ingénuo. (...) »
Em resumo, o tom e a argumentação argentinos aproximam-se das posições espanholas sobre Gibraltar.
O que causa um certo espanto não são estas reivindicações, mas sim a cobertura que órgãos de imprensa portugueses lhes dão, em contraste com as parcas notícias sobre outra problemática! E isso é quase chocante.
Refiro-me à Questão de Olivença. Território que, a nível oficial, é português. Mas de que pouco se fala. Por uma estranha lógica(?), parece achar-se normal que Espanha reivindique Gibraltar, que a Argentina reivindique as Malvinas, que se usem e divulguem todos os argumentos possíveis e imaginários, mas que se ignore Olivença.
Estaremos perante uma discriminação contras Portugal? Partir se á do princípio de que Portugal é um caso diferente e que, ao contrário dos outros países, lhe fica mal afirmar as suas reivindicações... ainda que sempre, e naturalmente, de forma pacífica.
Já nem se pedia que fosse divulgada uma reivindicação. Mas, ao menos, que se falasse do renascimento da Cultura portuguesa no local, e da atividade, meramente cultural também, de um grupo local, o Além Guadiana, que luta pela Cultura e História portuguesas em Olivença, mantendo-se naturalmente afastado das polémicas sobre a soberania.
Parece que a Cultura portuguesa só interesse se renasce em lugares exóticos. Em Malaca, em Goa, em Macau. O que leva tantos dos nossos inteletuais e jornalistas a agir assim?
Estremoz, 02 de Fevereiro de 2012
Carlos Eduardo da
Cruz Luna
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MensagemAssunto: carlos gomes   Seg Fev 27, 2012 1:37 am


Folclore de Olivença: entre o Alentejo e a Extremadura Espanhola
Carlos Gomes(*)

O concelho de Olivença é originariamente uma terra alentejana, com os seus usos e costumes característicos do Alto Alentejo, o seu modo de falar a Língua portuguesa com a pronúncia característica das gentes daquela região e o seu património histórico e artístico a atestar a sua secular portugalidade firmada desde o Tratado de Alcanizes. Porém, a conjuntura política dos finais do século XVII levaram à sua ocupação militar por parte de Espanha por ocasião da chamada “guerra das laranjas”, ocorrida em 1801. Esta situação levou ainda ao desmembramento do concelho de Juromenha uma vez que, também a Aldeia da Ribeira – actual freguesia de Vila Real – passou a integrar o município oliventino como se do seu termo fizesse parte.

A partir de então, diversos sucessos ocorridos ao longo de mais de dois séculos de ocupação, entre os quais se destaca a guerra civil espanhola e a ditadura franquista, determinaram a alteração do equilíbrio demográfico, registando-se um progressivo abandono por parte dos oliventinos de origem portuguesa e a sua substituição por gentes oriundas da Extremadura e outras regiões de Espanha. A maioria dos que ficaram foram reduzidos à situação de pobreza, fixaram-se nas aldeias em redor e foram sujeitos a um processo de assimilação, vendo os seus próprios nomes de baptismo convertidos para o castelhano.

A realidade, porém, é que tendo a realidade social sido alterada e colocando de parte julgamentos de natureza política, Olivença acusa presentemente uma forte influência da extremenha a par de uma surpreendente resistência da cultura portuguesa. É que, manter viva a chama da cultura portuguesa através de uma dezena de gerações que viveram sob as circunstâncias mais difíceis, sem qualquer estímulo por parte do Estado português para além da manutenção jurídica da questão territorial como uma posição de princípio, convenhamos que não é tarefa fácil. Pelo que, certos juízos de valor que por vezes se fazem acerca da vontade dos oliventinos, sem discriminação sequer quanto à sua origem, só podem ser entendidos como cínicos ou ridículos.

Essa influência extremenha revela-se nomeadamente através do próprio folclore, sendo usual os grupos folclóricos e de música tradicional interpretarem danças e cantares que claramente se distinguem quanto à sua origem e, na realidade, nem sequer se confundem. Danças como “O Pescador” e o “Verde-gaio” são representadas a par de jotas e coplas extremenhas. É uma realidade diferente que é resultado de processos históricos em relação aos quais não podemos culpar aqueles oliventinos cujas origens não se filiam na nação portuguesa. Mas, aquilo que devemos fazer e encontra-se ao nosso alcance é o estreitamento das relações culturais com Olivença, nomeadamente através do intercâmbio com os grupos folclóricos e de música tradicional ali existentes, aceitando e compreendendo as diferenças e relevando a sua identidade portuguesa e as suas características alentejanas.

Em tempos, o Rancho Folclórico “La Encina”, interpretava uma cantiga muito popular em Olivença nos começos do século XX, marcadamente portuguesa. Recolhida por Bonifácio Gil e publicada no seu “Cancioneiro Popular da Extremadura”, trata-se de uma melodia melancólica cujo tema sugere a aproximação geográfica ao rio Guadiana, relacionada com a faina da pesca e com toda a probabilidade originária da antiga Aldeia da Ribeira, actual freguesia de Vila Real.

O tema, que possui curiosas semelhanças com outras cantigas do cancioneiro popular português, trata das relações amorosas do pescador com uma mulher casada, qual “sereia que canta bela e que perdido é remo e vela”…e os conselhos da gente para que volte atrás nos seus propósitos. Na realidade, uma versão diferenciada da cantiga do “pescador da barca bela”!

Ó pescador da barquinha
Volta atrás que vais perdido
Essa mulher que tu amas
É casada e tem marido;
Casada e marido tem,
Ó pescador da barquinha
Volta atrás que não vás bem.
Fugiste-me ingrato
Deixaste-me só
No alto da serra
Sem pena nem dó.

(*) Jornalista, Licenciado em
História
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MensagemAssunto: Encontro de escritores   Ter Mar 27, 2012 3:02 pm

DIÁRIO DO SUL, 27 de Março de 2012
[23-MARÇO-2012(NOTA: CURIOSAMENTE, O JORNAL OMITIU A DATA)]: DECORREU UM ENCONTRO DE ESCRITORES EXTREMENHOS E PORTUGUESES EM OLIVENÇA



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Estavam previstos 19 escritores extremenhos e portugueses: António Passos Coelho, Antónia Áurea Gomes Ferreira, Luís Carlos Mendes, Alberto Silva, Hilda Bernardete, Paulo Alexandre e Castro, Hugo Girão, Aragonez Marques, Juan António Mendez Del Soto, Luisa Anton Prado, José António Gonzalez Carrillo, AliceRuivo, Artesã Joana Leal, Rui Cardoso Martins, José Luís Peixoto, Marino González Montero, Vitoria Pelayo, Ricardo Fariña, e José Cercas. Poucos faltaram, a pretexto de fortes motivos imprevistos de última hora. Muitos mais teriam vindo, se não tivesse sido necessário limitar o número de presenças faca à escassez de recursos.
A Câmara Municipal de Olivença fez-se representar, primeiramente, na pessoas do seu Presidente, Bernardino (Berna) Píriz Antón, e depois, por um vereador indigitado, Francisco José Toscano Antunez, e, por vezes, por Manuela Correa. Pelo Além Guadiana, coordenava a sessão pública na Igreja do Convento de São João de Deus em Olivença Eduardo Naharro Macías-Machado.
Ora em Português, ora em Castelhano, apresentaram-se currículos, desenvolvidos por cada um dos escritores presentes. Uma banca de livros à entrada, pretendia atrair o público, para consulta e compras.
É difícil distinguir as intervenções dos escritores, para não melindrar suscetibilidades. Mas deram nas vistas António Passos Coelho (ouvido especialmente... o que não era de espantar, pois, além de escritor, é o pai de uma figura importante no atual Governo de Lisboa...), Hugo Girão, Alberto Silva, Alice Ruivo, José Cercas. Vitoria Pelayo e sua irmã, e Luísa Antón Prado.
Numa segunda parte, em que foram colocadas questões a todos os escritores participantes, debateram-se temas culturais variados. mais dirigida à ala portuguesa, uma pergunta sobre o Acordo Ortográfico lançou alguma (breve) discórdia. Curiosa, aqui, a intervenção de Hilda Bernardete, que, influenciada talvez pela sua vivência brasileira, manifestou alguma incompreensão pelo tom crispado com que tal tema era por vezes abordado.
O responsável pelo Além Guadiana agradeceu aos escritores e ao público, manifestando (em castelhano e em Português) o seu profundo desgosto e incompreensão pela ausência quase geral de Órgãos de Comunicação portugueses, naquilo que começa a ser, mais do que uma manifestação de preconceito, uma manifestação de incultura, ou desprezo, ou... como diriam os amantes de conspirações... submissão a interesses inconfessáveis e misteriosos. Algo que a História julgará... e sem magnanimidade.
O jantar decorreu no Hotel Palácio Arteaga, após o que, entre comentários amigáveis e reflexões de última hora, todos prometeram voltar a estar presentes em iniciativas afins.

Carlos Eduardo da
Cruz Luna
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MensagemAssunto: 2 de Junho   Sab Jun 02, 2012 5:59 pm

TEATRO EM OLIVENÇA (1 e 2 de Junho de 2012), COM UMA DECLARAÇÃO ALGO ESTRANHA DO ALCAIDE DE OLIVENÇA
ABC, 29 de Mayo de 2012

Olivenza dice que Portugal se beneficia [NOTA PESSOAL: !!!!!!!!!!] de recreación de Guerra de Naranjas

29-05-2012 / 16:50 h EFE


El alcalde de Olivenza (Badajoz), Bernardino Píriz, ha afirmado hoy que Portugal "se beneficia" en con recreación histórica de la Guerra de las Naranjas que el dramaturgo Isidro Leyva ha hecho con su obra "Sentimientos históricos", que se se representará los próximos días 1 y 2 de junio en la localidad pacense.
La obra, que suscitó meses atrás reticencias en el PSOE local por la posibilidad de que reabriera "viejas heridas", según manifestó entonces a Efe el ex-alcalde socialista, Ramón Rocha, recrear un enfrentamiento familiar durante los dieciocho días que duró la batalla de España y Francia con Portugal.
"Agradezco la polémica porque nos ha servido para unirnos más al pueblo portugués y a los alcaldes portugueses", ha añadido Píriz en la presentación de la obra en la sede de la Diputación de Badajoz.
El Gobierno provincial intentó un acuerdo transfronterizo de cooperación para organizar unas jornadas que representasen la cultura de ambos lados de La Raya, aunque posiblemente no se materializará hasta el próximo año, según ha indicado.
A su juicio, se trata de una obra en la que se da a conocer la historia de Olivenza y en la que se cuenta más bien la parte portuguesa ya que la representación finaliza en 1801, cuando la localidad pacense pasa a formar parte de España después de que Manuel Godoy firmase con Portugal el Tratado de Badajoz y no fuera devuelta al término del enfrentamiento de la Guerra de las Naranjas.
No obstante, ha incidido en que quien saldrá "beneficiado" con la obra será el espectador, que podrá conocer a fondo cuál es la historia de esta localidad con una representación en la que participarán 104 actores y ocho jinetes de la asociación "Amigos del Caballo" de Olivenza, tras de un período de ensayos que ha durado meses, según ha explicado el director de la obra, Isidro Leyva.
"Es un drama familiar durante los días de la contienda más que la batalla en sí de la Guerra de las Naranjas", ha matizado el autor sobre su obra, que ha utilizado para recrear este "enfrentamiento dialéctico" ocho espacios escénicos creados en el campo de fútbol de Olivenza, donde habrá dos palacios, el Obispado, la plaza del pueblo, una piscina y el camino Badajoz-Lisboa.
Por otra parte, ha añadido que el equipo de megafonía es el mismo que se emplea en la fiesta pacense de Al-Mossassa, que conmemora el nacimiento de Badajoz, con el que está convencido de que no habrá ningún problema técnico de sonido para que se pueda seguir la representación en un recinto tan grande como un campo de fútbol.
En total, será un montaje de diez escenas en las que se desarrollará el trasfondo de la historia de la ciudad de una manera novelada, en la que el protagonista será un oliventino de quien se enamora una joven pacense y cuyo amor provocará el enfrentamiento entre ambas familias a un lado y otro de la frontera.
Asimismo, el alcalde de Olivenza ha recalcado que tras la polémica suscitada por miembros del PSOE en la localidad y que llegó a diputados en el Congreso portugués ha finalizado con un acercamiento entre Olivenza y los pueblos colindantes, lo que muestra que finalmente la temida reapertura de viejas heridas no haya sido tal y, de hecho, se hayan estrechado "aún más" los lazos con el país vecino.



HOY, 24-Junho-2012///A la venta las entradas para la obra 'Sentimientos históricos'
Se representará los días 1 y 2 de junio
NOTICIA DE LAURA GONZÁLEZ ANDRADE
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EM NOME DA HISTÓRIA
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