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 NICOLAU SAIÃO

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linomendes



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MensagemAssunto: NICOLAU SAIÃO   Qui Out 20, 2011 4:49 pm

Caríssimos confrades e amigos
Photobucket

Como não há duas sem três, como dizia Agostinho da Silva aquando da sua célebre detenção no Porto e antes de rumar ao Brasil, na segunda quinzena de Novembro estarei - se o clima não se alterar bruscamente, impedindo as deslocações no meio da neve e do frio gauleses - em Tours primeiro e em Paris depois, a apresentar o livro de Jules Morot "Du logis chez les chiens" e, aproveitando o ensejo papando-lhe outro jantar na "Maison Davinette", entreposto onde brilham as iguarias muito frequentado pelo poeta, que a sabe toda em matéria de petisqueiras francófonas, pronunciarei uma palestrazita que intitulei, com aprumo claramente alentejano "Solidão e aventura na obra de Brito Camacho", que era como se sabe um activo político que nada tinha a ver com os cleptocratas que neste momento por aí vulgarmente exibem a pança ou a esquelética robustez... Aproveito para informar que, conforme me alertam de S.Paulo, vai dentro em pouco estar nos escaparates (com um belíssima capa, de acordo com a minha sagaz correspondente) o meu livro "As vozes ausentes", tomo de cerca de 300 páginas de prosa (com prefácio de Maria Estela Guedes) que seguramente me dará e aos leitores muitas complacências e alegrias e que, conforme penso bem assim como o nosso Simões, me levará definitivamente às prisões da República pois, a páginas tantas, eu casco com vigor nos...Mas cala-te boca, não nos antecipemos ao acontecimento - tanto mais que hoje por hoje, para um enorme sucesso de vendas, o que é preciso é ir o Autor dentro e assim...Mas não digo mais, os confrades amigos já entenderam e não ponho mais na carta...como diz a expressão vernácula. E como esta hoje vai num registo que denota emoção de fino humor e contentamento perceptível - dou-vos em anexo, para fazer contraste, dois apontamentos que publiquei no Diário de Notícias, tristes e macambúzios pois se referem a Portugal e à tourada (passe a expressão) que nele se desenrola actualmente. Com o proverbial abraqson e o bjh da ordem, fica com estima o vosso ns
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Última edição por linomendes em Qui Out 20, 2011 5:00 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: CONTINUIDADE   Qui Out 20, 2011 4:53 pm

1. “Pensões vitalícias de ex-políticos poupadas a cortes. Governo revela que pensões de políticos reformados não serão, como as dos restantes cidadãos, objecto de corte”.
(O meu comentário no DN):
Eu creio que os actuais governantes, talvez por falta de lucidez, não perceberam ainda que é muito perigoso efectuarem estas discriminações.
Eu, juro, tenho medo que com estas ingenuidades (ou não ingenuidades, o que seria muito mau) um dia alguém perca a calma e faça algo de irreparável. Como sucedeu em Itália antes do "Mãos Limpas", em Viarrégio. (Seis membros da Promotoria foram enforcados pelos populares enfurecidos e vilipendiados, nas tílias que bordejavam a Praça Vitoria Regina, depois derrubadas para apagar vestígios da tragédia).
Nessa altura pode estar-se no princípio do fim do regime. Como bola de neve, todo o pus virá ao de cima. E quando isso começa não se sabe como acaba.
Seria bom que os governantes procedessem com equidade. É a paz da Nação que está em jogo! Há que dar ouvidos ao bom senso.

1. “Militares vão reunir-se no sábado para reflectirem sobre a situação no País”
(Idem)
É importante, com efeito, que os militares discutam o estado da Nação e, mais concretamente, o estado da política, da magistratura e das forças de vigilancia do cidadão (vulgo serviços secretos).
Mas não é lícito que o façam para traçarem planos de como ajudar a vilipendiar o Povo e a Pátria, de como apoiar os manejos dos mandantes e dos ex-mandantes que nos levaram à beira do caos.
A terem de algum dia agir, que ajam para salvação das pessoas em geral e da Nação concretamente, responsabilizando as ditas "forças vivas" que agora prejudicam o dia a dia societário. E o Povo, não o dos partidos e empenhos mas o Povinho que labuta e sofre, lhes agradecerá. Viva Portugal!

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MensagemAssunto: 2 de junho   Sab Jun 02, 2012 5:56 pm


Como disse Leucipo, na frase canónica que muitas vezes é dita de outro modo mais "moderno", o azeite, como é mais leve que a água, fica sempre por cima, tal como a verdade, pois é mais leve que a mentira.

E é de facto assim.

Embora, por vezes,se sinta que ela demora a chegar - muito mais quando é entravada por sistemas lentos ou capturados em parte por sectores pervertidos, estimulados por mídias corrompidos eticamente ou decididamente canalhas.

Refiro-me ao embuste que durante anos rodeou os portugueses, muitos dos quais ingenuamente e de boa-fé, quero crer, atacavam e caluniavam e difamavam quais autómatos (mas a pressão infame era muita...!) Fátima Felgueiras - anteontem como decerto terá visto nos órgãos de informação TOTALMENTE ABSOLVIDA em sentença confirmada pela Relação e vinda na sequencia da absolvição em primeira instancia.

Como decerto saberá, por razões familiares eu tive conhecimento directo deste caso: assisti às calúnias que eram lançadas sistematicamente, vi tudo dum ponto privilegiado, por diversas vezes tomei posição contra os que - ora ingenuamente, ora nefandamente - lançavam lama tentando aniquilar um ser humano, assassinar-lhe o caracter por razões pérfidas. E a maior parte nem sequer o conhecia, apenas "emprenhava pelos ouvidos" como sói dizer-se, manipulados por periódicos que tentavam o sensacionalismo e a "verdade de pacotilha".

Também a mim me coube ser caluniado, enxovalhado e difamado nomeadamente, em acção, por um blogue e, por omissão, por um indivíduo que deu nessa medida certa "credibilidade" ao acto.

Não pode estranhar-se que em breve o meu advogado avance com processos-crime, pois como diz o povo "quem não se sente não é filho de boa gente". E certas coisas não podem passar-se por alto! Para onde tentaram que fosse a verdade honrada nesta Nação à beira da desgraça económica?

E passando a outro assunto: hoje em dia, em certos meios, a impostura pedante está a tentar aproveitar-se da inocencia dos cidadãos. É isso que se releva, com frontalidade e ironia, no bloco que junto vos deixo(também em linha no Ablogando), com o velho abraqs de estima.

Fica cordialmente o vosso
ns
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MensagemAssunto: NS   Sex Jun 22, 2012 11:58 pm

Tenho para mim que sim. Mormente quando o Poeta se chama António Salvado.
Eu creio que os confrades concordarão, ademais de o saberem (sentirem?). Mas nunca será de mais sublinhá-lo.

Em setenta e picos, por razões muito próprias, tive ensejo de em Paris, num dos cafés emblemáticos daquela cidade, estar um bom pedaço (levado por confrades que sabiam juntar o conhecimento material ao espiritual) a conversar com um dos homens que se iria tornar uma lenda no século transacto... Falou-se de muita coisa e, de entre elas, de arte nas suas diversas vertentes.

Depois,levado por dois desses...cavaleiros, almocei num bistrot de ali ao pé (tripas à moda de Caen...parecidas com as do Porto mas com um travo peculiar e específico). No final, para acompanhar as maçãs de Sermoncelle, um petit Napoléon para rebater. E foi então que um deles, tirando-se de seus cuidados, me contou uma pequena estória que muitos anos mais tarde eu encontraria citada, ainda que de modo mais ligeiro, num livro doado pelo confrère Cesariny: sendo membro destacado da Resistencia, o tal nosso anterior conviva foi a dada altura capturado pelos nazis e encafuado em Neue Bremme, um dos mais sinistros campos de concentração do universo hitleriano. Cerca de três meses depois de lá chegar tinha de se apresentar, em certos dias marcados de antemão, numa dependencia específica para ser espancado, o que era feito com requintes. Ora acontece que ele, assim que entrava, antes de receber o primeiro murro ou bofetão, punha-se a tocar por dentro da cabeça trechos de música, dos muitos concertos a que assistira. Umas vezes era Bach, outras Schubert, outras mesmo Beethoven ou Chopin...

"Foi isso, conta ele no tal livro (e aqui uma pequena maldade minha: não digo quem era essa lenda humana, pesquisem um pouco, ora toma...!) que me ajudou a resistir. Nunca conseguiram quebrar-me".

Não sei se essa receita serviria para mim. O que posso dizer é que em alturas dolorosas da minha existência, a frequentação da grande poesia, nacional e estrangeira, me ajudou a ultrapasar esses tempos enegrecidos.
E, em todo o caso, em qualquer período difícil a arte é uma boa companheira. Como dizia Rilke, "um verso, um trecho de pintura ou uma melodia podem iluminar o nosso céu interior".

Então, para um pouco mais de claridade no fim de semana que aí temos à porta, hoje proponho-vos a voz límpida e fremente, ainda que serena, de António Salvado.


Que tudo vos siga correndo bem é o que vos deseja com estima o

ns
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MensagemAssunto: nicolau saião   Sab Jun 23, 2012 1:02 am

Conforme o convite anexo (que mais servirá, ou exactamente servirá, para um contacto com a Autora e o evento, pois não será viável a viagem - mas que bom seria dispormos de um flying saucer para deslocações super rápidas, neste caso a Fortaleza, cidade que vos atesto ser uma delícia à beira do mar...

Aqui vos deixo, para uma leve degustação, dois poemas da Aíla (que em Julho estará de visita a Lisboa, depois rumando a Paris) bem assim como o texto que lhe dediquei e inserido numa "orelha" do volume.
E que tenham um muito bom fim-de-semana é o que vos deseja, com os habituais e cordiais abrqs e bjh, o vosso
n.

-------------------------------------------------
Silêncio antigo


Há sempre uma casa
com seu silêncio antigo
e seus conhecidos fantasmas
a nos habitar.
Há sempre a memória
de um amor interdito,
a dar a ilusão
de que a felicidade está
apenas
no que poderia ter sido.

O tempo vivido desliza,
guardando abismos que
devoram a carne do tempo.
O que nos pertence
é apenas o presente
e a certeza de que
eterno
é somente o que não se realiza.

A cidade

A cidade me esconde
entre ruas e esquinas,
perdida em mim
como suas avenidas
entre semáforos e arranha-céus.
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MensagemAssunto: Para purgar azias civilicionais   Dom Jul 08, 2012 5:42 pm

Para purgar azias civilizacionais


Alguns poemas de índios norte-americanos
seguidos de
alguns poemas do eterno feminino


Albert Einstein – que era alguém que sabia o que dizia e como o dizia - referiu num texto notável (“Como eu vejo o Mundo”) - que a nossa civilização, por obra e graça duns quantos fabianos, estava a sucumbir ao cinismo e à pseudo-sofisticação.
Parece-me que esse Homem tinha razão.

O cinismo e a burla interior, aliás, tanto podem partir da acção de homens públicos desqualificados como de operadores intelectuais que tentam dar relevo a gente sem ética para servir os seus espúrios manejos de falsificadores de relacionamentos societários.
São todos do mesmo jaez e ainda que ajam em diferentes áreas fazem parte da mesma armadilha civilizacional.
Ora, para os confrades e amigos sentirem o contacto com uma dada realidade específica, aqui lhes deixamos poemas feitos por gente profundamente ligada à natureza e que infelizmente soube à própria custa o que era ser alvo de videirinhos e de genocidas interiores e exteriores.

Mas obviamente não só os índios foram, durante muito tempo, espiritual e materialmente afastados da salutar norma civil e cidadã através de manejos que alguns controladores estabeleceram de maneira insidiosa para melhor acautelarem os pretensos direitos de domínio, que capturaram e que tentam sempre imperativamente lhes caibam.

Para além dos homens (na sua parte de qualificação relacional) sofrerem os embates da subalternização provocada por organismos de mando (serem, por exemplo, forçados a participar em escaramuças e guerras mesmo que o não queiram), também as mulheres têm sido (e em grande parte continuam a ser) com frequência abusadas nos seus direitos específicos mormente quando, mediante uma insidiosa “lavagem ao cérebro” até pseudo-educacional a que muitas não resistem, se lhes torce a condição de parte indispensável no binómio homem-mulher que fundamenta o percurso próprio no mundo dos afectos.

Isto para já não falarmos nos casos limites - que devem cair nos domínios do foro criminal pois são verdadeiros atentados à existência salutar – perpetrados em países ou comunidades norteadas por pretensas normas “religiosas e culturais” que não são mais que políticas de controle abusivo.

Os poemas que aqui se deixam são uma celebração desses dois mundos.





Poemas índios






Todo o sudoeste é uma casa
Feita de penumbra. Foi feita de polén
E de chuva. A terra é antiga e durará
Para sempre. Há muitas cores nas colinas
E na pradaria e uma vegetação sombria
Cobre a montanha ao longe. A terra é fértil e forte
E a beleza enche tudo à nossa volta.

(Pueblos)


Saiu a lua, branca como a folha do machado
E o meu machado é uma lua pequena
O sangue do alce brotará sob a lua
Unirá a lua grande e a lua pequena
E o fogo da vida será como um sol
No coração dos caçadores.

Machado, agradeço-te o fogo da vida
Alce, agradeço-te o fogo da lua
Da grande e da pequena lua
Vê que vais viver para sempre no nosso coração
E serás o sol e as pequenas luas
Grandes como o fogo que circula
No interior da floresta.

(Ojibway/Chipewa)


Somos as estrelas, entoando
Um canto com a nossa luz.
Somos os pássaros de fogo
Voando pelos espaços.
O nosso brilho é uma voz
Que traça o caminho aos espíritos
Para que eles possam passar.
Entre nós três caçadores
Procuram caçar um urso.
Nunca houve tempo algum
Em que eles o não caçassem.
Do alto olhamos os montes
E é esta a canção das estrelas.

(Algonquins)


No tempo da morte
Quando eu vi que a morte me procurava
Fiquei espantado. Tudo se destroçava.
A minha casa
Tristemente tive de a deixar. Olhei para longe
Enviei o meu espírito para norte
Para sul, leste e oeste, tentando escapar à morte.
Mas nenhum lugar encontrei
Já não havia caminho de fuga.
(Luiseño)
Trad. Ns


Do eterno feminino




MADRUGADA


No interior a polpa: um nó convulsamente
preso na carne feita para amar
No exterior partículas
tão exactas e puras como um dia. No depois das paredes
nesse ar que se dissipa
nesse negrume fixo e já disperso
- para sempre encontrado -
o clarão que nos une e que nos leva
entre as horas e os tempos, entre vozes que findam.

A cor o mundo o nome
eternamente nossos

MAGNÓLIAS

Naquela terra não havia magnólias. À beira dos caminhos
nos jardins e nos pequenos vasos de flores dentro das casas
as mulheres e os floristas cultivavam aspidistras
rosas-chá, malmequeres e pequenos bolbos de tulipas vermelhas.
Um namorado, certa vez, colocou na botoeira um girassol.
Meninas dos colégios assustavam-se e, correndo pelos parques
faziam esvoaçar contra a luz candente da tarde pequenas flores campestres.

Então, um dia, apareceu na cidade um hortelão
que num pequeno cesto tinha um pano multicolor
sobre algo que não se conhecia.

Uma jovem destacou-se de entre os demais e disse-lhe
qualquer coisa em voz sumida. E o hortelão
olhou-a longamente.
E depois principiou a andar devagarinho.
E na rua começou a espalhar-se uma penumbra que de repente
todos perceberam que iria doravante ficar ali para sempre.


DOIS CÊNTIMOS DE AMOR SMS

Dois cêntimos, ou seja: quatro escudos
No tempo das luzes sobre as casas
E das árvores apenas com o conhecimento de quem se ia
Quase para sempre -
Um pacotinho de rebuçados dos de açúcar e anis,
Duas mãos cheia de ervilhanas,
Três mãos de pevides,
Dois selos para cartas vulgares ou especiosas
Uma esmola pelos que lá se tinham,
Três maçãs,
Meia hora ao bilhar,
Meia hora de ping-pong,
Quatro carteirinhas de bonecos da bola,
Uma vela para alumiar mortos e vivos.

Não dá contudo para mandar uma mensagem.
Mas se desse que poderia obter-se?
Um olhar? Um trejeito? Um começo de frase?
Uma palavra encantada e tão terrena?
Um “e eu também”? Um “mas” seguido de um silêncio interrogativo?
Ou um simples beijo luminescente e natural?

Ou nada disto – apenas um suspiro, um resto de respiração?

Como findar o poema? Com a mão posta
No teu cabelo? Ou com um olhar que se recusa a partir?
Que dois cêntimos são tão pouco.
Que dois cêntimos são tanto.

Assim sendo, eu te digo com uma voz antiga
E feita agora mesmo (pois que vozes não há feitas
A não ser quando se trocam os tempos
Contra o fluir do tempo, puros e imarcescíveis):

Dou-te dos meus rebuçados
Dou-te um selo para que me escrevas
Dou-te ervilhanas, as mais belas que tiver
Um pedaço de sorriso
A melhor maçã
O meu mais doce beijo para que a amargura não nos fira

Com o seu silencio e a sua luz que fulmina.

POEMA

Uma coisa pequena
quase inútil, afeiçoada no dia
tão vaga na noite
afastada nas horas do mundo
calada porque não mais
que objecto achado algures.

Além do elemento vegetal
para todos os anos
como diminuto utensílio
só para ser olhado
nem sequer pensado
De só ser visto

pelos olhos amados.


ANUNCIAÇÃO

As mulheres do vento parado como um planeta extinto
as mulheres doentes as mulheres que cantam com surpresa
o seu vestido estranho como uma renda como uma absurda mancha
as mulheres do meu dia como um peso de cores distintas

entre mim e o céu

Entram pela minha boca e censuram-me docemente

Aqui, diz uma, puseste o horror de um velho instante
ali, diz outra, não deixaste repousar os devaneios
Há uma que paira, como se me fitasse a direito, com as mãos
junto da testa, perto dos olhos, os lábios palpitando
estremecendo como uma pétala sobre a água
Mulheres de negro, afagando pastas de couro em lojas improváveis
escrevendo em papéis antigos fórmulas de gentileza
Mulheres que a diabetes assolou como praga medieval
mulheres de pernas como lírios rosados
andando ao longo duma estrada francesa
as árvores coloridas formando uma cortina imprecisa

Job de rosto erguido amargo senhor das angústias
a sua face trémula tão igual à do Senhor na noite de suor e remorsos
a sua mulher por detrás, arrepanhando as vestes

Dizei-me mulheres onde com que luz a vossa fotografia se encarquilhou
na madeira queimada das velhas casas onde medrava a guerra
Vós sois o sustento dos pontos cardeais

Lembro-me de ti, Marion, o rosto rodando como um guindaste
e o fumo que soltavas com um meneio elegante da mão esquerda
o fumo espalhado no parque abandonado
os olhos tranquilos frios
A rua solitariamente sob a noite de Junho
e o cão o velho cão dos bosques que trotava muito devagar

A vossa figura palpitante, mulheres, irisada obscura
à luz frouxa da manhã e o frio subindo até às portas como um animal a morrer.

VOZ DE AMOR

Não te direi poemas e sim vulgares palavras
- como café, cadeira, naco de pão, um copo
de água para refrescar os minutos
ou “cuidado com o carro” ou “que te deu?” ou ainda
“não estejas triste, está aqui a minha mão”. Palavras
com que se fazem os poemas mas agora só presas
ao natural de um dia, ao natural do tempo
ao natural de quem fala com as palavras todas.
Palavras como “pena”, como “chuva” ou então “já é noite!”
e “o dia foi tão rápido”, palavras que irão cair
dentro de um bolso, no coração fendido, nos olhos perdidos
até na música que reboa dentro de um peito ausente
palavras seja de perdão seja de febre, palavras
apenas sons sobre a angústia da tarde. E a palavra “alegria”
e a palavra “segredo”
e aquelas palavras que se não dizem ou se dizem
quando as palavras findam por já não precisarem
senão de silêncio entre duas bocas que serenamente se calam.
Sim, e as palavras desaparecidas
e as que não viveram
e as que saudamos como companheiras de viagem
que reconhecemos e com quem trocamos um olhar
porque as palavras sabem esperar no escuro
e é nesse escuro que aguardam o seu momento
palavras breves
que nos amaram por fora de nós
que nos conhecem
que sempre nos haverão de conhecer

palavras como “ontem”
como “depois”
como “sempre”

palavras que já não estão em nós
pois existem em nossa volta
são o nosso ar e o nosso sangue

o nosso momento infinito.


SOLENIDADE

Porque me pedes o que não tenho
Rosas aos quilos, nuvens no mar
Um comboio louco p’los campos fora
A suspirar a transpirar

Porque me mostras coisas tão belas
Um anjo cego sobre um altar
Um cantor surdo na passerelle
A suspirar a transpirar

Porque me dizes coisas profundas
Um som de flauta para encantar
Um tiro no peito dum marinheiro
A suspirar a transpirar

Porque me dás quarenta beijos
E uma imagem subliminar
E um pontapé no baixo ventre
A suspirar a transpirar

Porque me assustas porque me espantas
Porque me fazes admirar
Os deuses que andam nas avenidas
A suspirar a transpirar

Só sei que tenho a voz aflita
De me rir tanto de protestar
Por me obrigares a andar aos tombos
A transpirar a suspirar.


FASHION

Em todo o tempo as há, mas no Verão nota-se mais.
Lá vão elas andando desfilando como estátuas hieráticas com tudo, contudo, no lugar.
E são brancas e pretas, ruivas e morenas e louras e de cabelinho rapado para ficarem exóticas, ex-ópticas aos nossos olhos em bico em bugalho em riste como binóculos de apreciadores de corridas de cavalos ou de paisagens longínquas.
A umas os seus construtores/construtoras querem que apreciemos as partes de cima, outros/outras as partes de baixo – e nós, que sabemos apreciar ver coruscar como faróis na noite olhamos principalmente o que as suas construtoras construtores não lhes fizeram/costuraram mas lhes foi dado pela natureza o acaso a simples e boa elegância que ou se tem ou se não tem, raios.
Elas lá vão deslizando como borboletas numa serena manhã de verão ou ao entrar da noitinha. Meninas, lindas meninas, qual de vós o vosso ideal e os/as que as miram escrutinam remiram sentem por vezes um frémito um arrepiozinho que acrescenta um tremeluzir na passerelle. Como se fosse o ring em que se batem contra a fealdade do tempo e a beleza da idade.
Como se não fossem apenas estátuas hieráticas mas pessoas andando desfilando no quotidiano dum mundo reconfigurado e liberto.


CALABAZAS *

Eu sou o que sou
vegetal e mineral, fruto e animal
no inverno no verão
em cima da cama e numa cozinha
sobre a mesa com copos e garrafas
Sou pintada sou disposta em arco-íris
como alguém que ri e alguém que chora
como uma artista submergida
como um retrato emergente
ando de roda
rastejo
voo sobre os rios e os ventos
os montes e as chamas nas lareiras
sinto a terra nas mãos
balbucio a dormir
assusto-me fico presa
a um objecto tão belo como a escuridão
antes da manhã
depois de anoitecer

Tenho muitos nomes
que de repente desaparecem
cabacinha pintada de azul amarelo
cabacinha pintada de preto vermelho
e sou outra vez eu
e faço o pino danço adormeço
e os sonhos saem pela cabeça
e ficam a pairar perto das paredes.

Sou cabaça
sou pessoa
sou madeira e pedra
e lume e ardósia e papel
ramagens ensolaradas
casas que se abrem e fecham
no dia inteiro
e na tarde
de todos os silêncios e ruídos ao longe.







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MensagemAssunto: Para purgar azias civilicionais   Dom Jul 08, 2012 5:44 pm

Para purgar azias civilizacionais


Alguns poemas de índios norte-americanos
seguidos de
alguns poemas do eterno feminino


Albert Einstein – que era alguém que sabia o que dizia e como o dizia - referiu num texto notável (“Como eu vejo o Mundo”) - que a nossa civilização, por obra e graça duns quantos fabianos, estava a sucumbir ao cinismo e à pseudo-sofisticação.
Parece-me que esse Homem tinha razão.

O cinismo e a burla interior, aliás, tanto podem partir da acção de homens públicos desqualificados como de operadores intelectuais que tentam dar relevo a gente sem ética para servir os seus espúrios manejos de falsificadores de relacionamentos societários.
São todos do mesmo jaez e ainda que ajam em diferentes áreas fazem parte da mesma armadilha civilizacional.
Ora, para os confrades e amigos sentirem o contacto com uma dada realidade específica, aqui lhes deixamos poemas feitos por gente profundamente ligada à natureza e que infelizmente soube à própria custa o que era ser alvo de videirinhos e de genocidas interiores e exteriores.

Mas obviamente não só os índios foram, durante muito tempo, espiritual e materialmente afastados da salutar norma civil e cidadã através de manejos que alguns controladores estabeleceram de maneira insidiosa para melhor acautelarem os pretensos direitos de domínio, que capturaram e que tentam sempre imperativamente lhes caibam.

Para além dos homens (na sua parte de qualificação relacional) sofrerem os embates da subalternização provocada por organismos de mando (serem, por exemplo, forçados a participar em escaramuças e guerras mesmo que o não queiram), também as mulheres têm sido (e em grande parte continuam a ser) com frequência abusadas nos seus direitos específicos mormente quando, mediante uma insidiosa “lavagem ao cérebro” até pseudo-educacional a que muitas não resistem, se lhes torce a condição de parte indispensável no binómio homem-mulher que fundamenta o percurso próprio no mundo dos afectos.

Isto para já não falarmos nos casos limites - que devem cair nos domínios do foro criminal pois são verdadeiros atentados à existência salutar – perpetrados em países ou comunidades norteadas por pretensas normas “religiosas e culturais” que não são mais que políticas de controle abusivo.

Os poemas que aqui se deixam são uma celebração desses dois mundos.





Poemas índios






Todo o sudoeste é uma casa
Feita de penumbra. Foi feita de polén
E de chuva. A terra é antiga e durará
Para sempre. Há muitas cores nas colinas
E na pradaria e uma vegetação sombria
Cobre a montanha ao longe. A terra é fértil e forte
E a beleza enche tudo à nossa volta.

(Pueblos)


Saiu a lua, branca como a folha do machado
E o meu machado é uma lua pequena
O sangue do alce brotará sob a lua
Unirá a lua grande e a lua pequena
E o fogo da vida será como um sol
No coração dos caçadores.

Machado, agradeço-te o fogo da vida
Alce, agradeço-te o fogo da lua
Da grande e da pequena lua
Vê que vais viver para sempre no nosso coração
E serás o sol e as pequenas luas
Grandes como o fogo que circula
No interior da floresta.

(Ojibway/Chipewa)


Somos as estrelas, entoando
Um canto com a nossa luz.
Somos os pássaros de fogo
Voando pelos espaços.
O nosso brilho é uma voz
Que traça o caminho aos espíritos
Para que eles possam passar.
Entre nós três caçadores
Procuram caçar um urso.
Nunca houve tempo algum
Em que eles o não caçassem.
Do alto olhamos os montes
E é esta a canção das estrelas.

(Algonquins)


No tempo da morte
Quando eu vi que a morte me procurava
Fiquei espantado. Tudo se destroçava.
A minha casa
Tristemente tive de a deixar. Olhei para longe
Enviei o meu espírito para norte
Para sul, leste e oeste, tentando escapar à morte.
Mas nenhum lugar encontrei
Já não havia caminho de fuga.
(Luiseño)
Trad. Ns


Do eterno feminino




MADRUGADA


No interior a polpa: um nó convulsamente
preso na carne feita para amar
No exterior partículas
tão exactas e puras como um dia. No depois das paredes
nesse ar que se dissipa
nesse negrume fixo e já disperso
- para sempre encontrado -
o clarão que nos une e que nos leva
entre as horas e os tempos, entre vozes que findam.

A cor o mundo o nome
eternamente nossos

MAGNÓLIAS

Naquela terra não havia magnólias. À beira dos caminhos
nos jardins e nos pequenos vasos de flores dentro das casas
as mulheres e os floristas cultivavam aspidistras
rosas-chá, malmequeres e pequenos bolbos de tulipas vermelhas.
Um namorado, certa vez, colocou na botoeira um girassol.
Meninas dos colégios assustavam-se e, correndo pelos parques
faziam esvoaçar contra a luz candente da tarde pequenas flores campestres.

Então, um dia, apareceu na cidade um hortelão
que num pequeno cesto tinha um pano multicolor
sobre algo que não se conhecia.

Uma jovem destacou-se de entre os demais e disse-lhe
qualquer coisa em voz sumida. E o hortelão
olhou-a longamente.
E depois principiou a andar devagarinho.
E na rua começou a espalhar-se uma penumbra que de repente
todos perceberam que iria doravante ficar ali para sempre.


DOIS CÊNTIMOS DE AMOR SMS

Dois cêntimos, ou seja: quatro escudos
No tempo das luzes sobre as casas
E das árvores apenas com o conhecimento de quem se ia
Quase para sempre -
Um pacotinho de rebuçados dos de açúcar e anis,
Duas mãos cheia de ervilhanas,
Três mãos de pevides,
Dois selos para cartas vulgares ou especiosas
Uma esmola pelos que lá se tinham,
Três maçãs,
Meia hora ao bilhar,
Meia hora de ping-pong,
Quatro carteirinhas de bonecos da bola,
Uma vela para alumiar mortos e vivos.

Não dá contudo para mandar uma mensagem.
Mas se desse que poderia obter-se?
Um olhar? Um trejeito? Um começo de frase?
Uma palavra encantada e tão terrena?
Um “e eu também”? Um “mas” seguido de um silêncio interrogativo?
Ou um simples beijo luminescente e natural?

Ou nada disto – apenas um suspiro, um resto de respiração?

Como findar o poema? Com a mão posta
No teu cabelo? Ou com um olhar que se recusa a partir?
Que dois cêntimos são tão pouco.
Que dois cêntimos são tanto.

Assim sendo, eu te digo com uma voz antiga
E feita agora mesmo (pois que vozes não há feitas
A não ser quando se trocam os tempos
Contra o fluir do tempo, puros e imarcescíveis):

Dou-te dos meus rebuçados
Dou-te um selo para que me escrevas
Dou-te ervilhanas, as mais belas que tiver
Um pedaço de sorriso
A melhor maçã
O meu mais doce beijo para que a amargura não nos fira

Com o seu silencio e a sua luz que fulmina.

POEMA

Uma coisa pequena
quase inútil, afeiçoada no dia
tão vaga na noite
afastada nas horas do mundo
calada porque não mais
que objecto achado algures.

Além do elemento vegetal
para todos os anos
como diminuto utensílio
só para ser olhado
nem sequer pensado
De só ser visto

pelos olhos amados.


ANUNCIAÇÃO

As mulheres do vento parado como um planeta extinto
as mulheres doentes as mulheres que cantam com surpresa
o seu vestido estranho como uma renda como uma absurda mancha
as mulheres do meu dia como um peso de cores distintas

entre mim e o céu

Entram pela minha boca e censuram-me docemente

Aqui, diz uma, puseste o horror de um velho instante
ali, diz outra, não deixaste repousar os devaneios
Há uma que paira, como se me fitasse a direito, com as mãos
junto da testa, perto dos olhos, os lábios palpitando
estremecendo como uma pétala sobre a água
Mulheres de negro, afagando pastas de couro em lojas improváveis
escrevendo em papéis antigos fórmulas de gentileza
Mulheres que a diabetes assolou como praga medieval
mulheres de pernas como lírios rosados
andando ao longo duma estrada francesa
as árvores coloridas formando uma cortina imprecisa

Job de rosto erguido amargo senhor das angústias
a sua face trémula tão igual à do Senhor na noite de suor e remorsos
a sua mulher por detrás, arrepanhando as vestes

Dizei-me mulheres onde com que luz a vossa fotografia se encarquilhou
na madeira queimada das velhas casas onde medrava a guerra
Vós sois o sustento dos pontos cardeais

Lembro-me de ti, Marion, o rosto rodando como um guindaste
e o fumo que soltavas com um meneio elegante da mão esquerda
o fumo espalhado no parque abandonado
os olhos tranquilos frios
A rua solitariamente sob a noite de Junho
e o cão o velho cão dos bosques que trotava muito devagar

A vossa figura palpitante, mulheres, irisada obscura
à luz frouxa da manhã e o frio subindo até às portas como um animal a morrer.

VOZ DE AMOR

Não te direi poemas e sim vulgares palavras
- como café, cadeira, naco de pão, um copo
de água para refrescar os minutos
ou “cuidado com o carro” ou “que te deu?” ou ainda
“não estejas triste, está aqui a minha mão”. Palavras
com que se fazem os poemas mas agora só presas
ao natural de um dia, ao natural do tempo
ao natural de quem fala com as palavras todas.
Palavras como “pena”, como “chuva” ou então “já é noite!”
e “o dia foi tão rápido”, palavras que irão cair
dentro de um bolso, no coração fendido, nos olhos perdidos
até na música que reboa dentro de um peito ausente
palavras seja de perdão seja de febre, palavras
apenas sons sobre a angústia da tarde. E a palavra “alegria”
e a palavra “segredo”
e aquelas palavras que se não dizem ou se dizem
quando as palavras findam por já não precisarem
senão de silêncio entre duas bocas que serenamente se calam.
Sim, e as palavras desaparecidas
e as que não viveram
e as que saudamos como companheiras de viagem
que reconhecemos e com quem trocamos um olhar
porque as palavras sabem esperar no escuro
e é nesse escuro que aguardam o seu momento
palavras breves
que nos amaram por fora de nós
que nos conhecem
que sempre nos haverão de conhecer

palavras como “ontem”
como “depois”
como “sempre”

palavras que já não estão em nós
pois existem em nossa volta
são o nosso ar e o nosso sangue

o nosso momento infinito.


SOLENIDADE

Porque me pedes o que não tenho
Rosas aos quilos, nuvens no mar
Um comboio louco p’los campos fora
A suspirar a transpirar

Porque me mostras coisas tão belas
Um anjo cego sobre um altar
Um cantor surdo na passerelle
A suspirar a transpirar

Porque me dizes coisas profundas
Um som de flauta para encantar
Um tiro no peito dum marinheiro
A suspirar a transpirar

Porque me dás quarenta beijos
E uma imagem subliminar
E um pontapé no baixo ventre
A suspirar a transpirar

Porque me assustas porque me espantas
Porque me fazes admirar
Os deuses que andam nas avenidas
A suspirar a transpirar

Só sei que tenho a voz aflita
De me rir tanto de protestar
Por me obrigares a andar aos tombos
A transpirar a suspirar.


FASHION

Em todo o tempo as há, mas no Verão nota-se mais.
Lá vão elas andando desfilando como estátuas hieráticas com tudo, contudo, no lugar.
E são brancas e pretas, ruivas e morenas e louras e de cabelinho rapado para ficarem exóticas, ex-ópticas aos nossos olhos em bico em bugalho em riste como binóculos de apreciadores de corridas de cavalos ou de paisagens longínquas.
A umas os seus construtores/construtoras querem que apreciemos as partes de cima, outros/outras as partes de baixo – e nós, que sabemos apreciar ver coruscar como faróis na noite olhamos principalmente o que as suas construtoras construtores não lhes fizeram/costuraram mas lhes foi dado pela natureza o acaso a simples e boa elegância que ou se tem ou se não tem, raios.
Elas lá vão deslizando como borboletas numa serena manhã de verão ou ao entrar da noitinha. Meninas, lindas meninas, qual de vós o vosso ideal e os/as que as miram escrutinam remiram sentem por vezes um frémito um arrepiozinho que acrescenta um tremeluzir na passerelle. Como se fosse o ring em que se batem contra a fealdade do tempo e a beleza da idade.
Como se não fossem apenas estátuas hieráticas mas pessoas andando desfilando no quotidiano dum mundo reconfigurado e liberto.


CALABAZAS *

Eu sou o que sou
vegetal e mineral, fruto e animal
no inverno no verão
em cima da cama e numa cozinha
sobre a mesa com copos e garrafas
Sou pintada sou disposta em arco-íris
como alguém que ri e alguém que chora
como uma artista submergida
como um retrato emergente
ando de roda
rastejo
voo sobre os rios e os ventos
os montes e as chamas nas lareiras
sinto a terra nas mãos
balbucio a dormir
assusto-me fico presa
a um objecto tão belo como a escuridão
antes da manhã
depois de anoitecer

Tenho muitos nomes
que de repente desaparecem
cabacinha pintada de azul amarelo
cabacinha pintada de preto vermelho
e sou outra vez eu
e faço o pino danço adormeço
e os sonhos saem pela cabeça
e ficam a pairar perto das paredes.

Sou cabaça
sou pessoa
sou madeira e pedra
e lume e ardósia e papel
ramagens ensolaradas
casas que se abrem e fecham
no dia inteiro
e na tarde
de todos os silêncios e ruídos ao longe.







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MensagemAssunto: 31/08/012   Sex Ago 31, 2012 9:49 pm

macaco e a essência



Tempos atrás vi na TV uma cena que me esclareceu para sempre sobre as misérias e as grandezas da actividade pública – política, religiosa, militar, desportiva, judicial. Com um famoso condutor de massas, um desses seres excepcionais que movem multidões?

Nem por sombras!

O protagonista que me elucidou foi um humilde vigarista de bairro.

Melhor dizendo: modesto, insinuante. Com uma forma de estar na vida que depressa conquistou – pois participava num talk show posto a correr por uma esbelta serigaita das nossas noites televisivas – a assistência que o ouvia, quase fascinada.

O inspector da polícia que em tempos o prendera, também presente no programa, bem se fartou de prevenir os espectadores de que era mesmo aquela a técnica de que o indivíduo se servia para perpetrar os seus golpes. E que propiciava que um simples mortal, depois de o ouvir, lhe entregasse tudo o que ele queria. “Já vos conquistou a todos!” - dizia o pobre chui (polícia) em desespero de causa – “ Digam lá se agora não entravam no negócio que ele vos propusesse…”. E o simpático vigarista, com um sorriso fraternal no rosto aberto e franco, saiu do cenário coroado por uma enorme salva de palmas.

Eu e milhares como eu, decerto, acolhemos com proveito a inapreciável lição que ali nos fora dada.

Lembrei-me disto e também de uma notícia referente ao ex-ministro Alain Joupé, que tinha tempos atrás sido condenado a 18 meses de prisão, com pena suspensa (é sempre pena suspensa a que estes ilustres cidadãos apanham), para além de 10 anos de impedimento de se candidatar a qualquer cargo – por ter cavilosamente manipulado uns dinheiritos chegados aos seus bolsos de forma esquisita.

Ora o Supremo Tribunal, instado a pronunciar-se, reduziu para catorze meses a pena aplicada, além de considerar que lhe bastava um aninho de travessia do deserto. E o nosso homem agora soma e segue…

Em 1999, num encontro sobre Literatura Policial numa cidade francesa, defendi a tese de que “o sistema judicial é o cancro que está a destruir a Democracia”, a qual foi bem acolhida pela assistência que me quis ouvir. E disse ainda que o sistema judicial politicamente correcto, eticamente corrompido até à medula, não o era devido a magistrados receberem dinheiros desta ou daquela entidade mas sim por no seu coração e no seu cérebro – com as naturais excepções - aceitarem o jogo de que os poderosos são seus irmãos de cena e portanto credores de cuidados especiais, aliás generosamente dispensados.

Mediante o estatuto granjeado pelas suas qualificações pessoais – companheirismo de formatura, de família (pessoal ou política), lábia poderosa e poderoso desembaraço, preparação e cultura – o homem público cai no goto do vulgus pecus e daí em diante praticamente tudo lhe é consentido. Passou-se com Joupé como se tem passado com outros simpáticos safardanas europeus e mundiais, que quais sempre-em-pés logo se erguem e seguem triunfantes ou pelo menos perdoados mal os atira a terra uma vigarice ou um acto assacanado. Ou o simples desprezo que acalentam pelo povo, sobre o qual tripudiam com o beneplácito dum universo societário podre e complacente para com esses irmãos naturais, que aliás lhe pagam com juros deixando os seus próceres bem ancorados no seu específico conforto corporativo.

E tudo isto é mais eficaz – e muito mais inquietante - que a simples vigarice dum tratantezito de bairro…


in As vozes ausentes
ns
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lino mendes
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MensagemAssunto: NS   Dom Set 16, 2012 10:44 pm

Crear en Salamanca
Nicolau Saiao (Portugal). XV Encuentro de Poesía Iberoamericana




Nicolau Saião es el seudónimo de Francisco Ludovino Cleto Garção (Monforte do Alentejo, Portalegre, 1946). Es poeta, publicista, actor y artista plástico. En 1992 la Asociación Portuguesa de Escritores le concedió el Premio Revelação/Poesia por su libro Os objectos inquietantes. También ha publicado Assembleia geral (1990), Passagem de nível, teatro (1992), Flauta de Pan (1998) y Os olhares perdidos (2001). Están por salir de imprenta O desejo dança na poeira do tempo y Escrita e o seu contrário. En Brasil se publicó su antología Olhares perdidos (2006), en Mozambique apareció O armário de Midas (2008). También en Brasil se publicó su libro de prosas As vozes ausentes (2011). Colabora en revistas literarias de España, Portugal, Chile, México, Brasil, Francia o Argentina. Hasta su jubilación fue el responsable del Centro de Estudios José Régio.
Retrato realizado por Miguel Elías
POEMAS
(*) Todos los poemas son inéditos en castellano y han sido traducidos por A. P. Alencart
UNAMUNO EN EL MÁS ALLÁ, RECORDANDO
LOS CAMPOS DE IBERIA
No se llega al mundo
por deseo expreso. Ni por
amor siquiera. No es figura erguida
o a ras de suelo ni roca
en el paisaje pensada
por tristeza y luego
escrita: su sol, su mar, su
multiplicado silencio
de alegría. No hay voces ni
figuras al descubierto, desapareciendo en el lugar
de la piedra y tierra sentidas. Por un feliz
instante, su brusca
inclinación de sierras se prolonga
entre las sombras del oscuro pensamiento
de lo que se tuvo y se olvidó. Cosas que se palpan, se sujetan
en la mano más que en los ojos
idos para siempre. Aquí la geografía vista como si más
o menos fuese arena o pizarra o fibrosa
materia vegetal, o algo de que
mucho tiempo después se hiciese
utensilio preciso para trabajos
perennes, como algo muy necesario para los minutos
fugaces de la existencia: mesa limpia,
suelo lavado y lo demás
que completa las casas, la ropa y el
relleno de vidas dispersas por los días: un adiós entre
caminos que perpetúan – la peña tocada, las plantas
vivaces y el agua que se pensó
no existir sino en lejanísimos
parajes desconocidos. No existir
sino en la voluntad o en
remotas soledades. Y palomas, palomas
junto a mí y pegadas al cielo.
No en la palabra, no en cosas sobre la silueta que nos rodeó
(ese templo no lo que fue nuestro o que ni
siquiera tuvimos nunca pero sí
que era solamente una imagen o música difusa) y es
la prolongada inmensidad, el perfil de una memoria, el gesto
de cabeza rodando, de rostro herido un paso y otro paso
entre montañas al amanecer.
O su recuerdo
en momentos de amargura y mientras la tierra
espera su fulgor de eras distantes
de rumores de voces
de un sonido de puerta batiendo
cerrando o irguiendo el día
En la mano que se suspende
y dibuja después el principio
y el fin esperado
de todos los siglos de las noches
de la última mañana.
ANUNCIACIÓN
Las mujeres del viento detenido como un planeta extinto
las mujeres enfermas las mujeres que cantan sorprendidas
o su vestido extraño como un encaje como una absurda mancha
las mujeres de mi día como un exceso de colores distintos
entre mí y el cielo
Entran por mi boca y me reprenden dulcemente
Aquí, dice una, pusiste el horror de un viejo instante
allí, dice otra, no dejaste descansar los devaneos
Hay una que acecha, como si me mirase fijamente, con las manos
junto a la cabeza, cerca de los ojos, los labios palpitando
estremeciéndose como un pétalo sobre el agua
Mujeres de negro, acariciando carteras de cuero en tiendas improbables
escribiendo en cuadernos antiguos formulas de amabilidad
Mujeres que la diabetes asoló como plaga medieval
mujeres de piernas como lirios rosados
caminando a lo largo de una carretera francesa
los árboles coloridos formando una cortina imprecisa
Job de rostro erguido amargo señor de las angustias
su rostro trémulo tan similar a la del Señor en la noche de sudor y remordimientos
su mujer por detrás, arrebatando las ropas
Decidme mujeres dónde con qué luz vuestra fotografía se arrugó
en la madera quemada de las viejas casas donde medraba la guerra
Vosotros sois el sustento de los puntos cardinales
Me acuerdo de ti, Marion, el rostro rodando como una grúa
y el humo que soltabas con un elegante movimiento de la mano izquierda
el humo esparcido en el parque abandonado
los ojos tranquilos fríos
La calle solitariamente sobre la noche de junio
y el perro el viejo perro de los bosques que corría muy despacio
Vuestra figura palpitante, mujeres, irisada oscura
a la luz tenue de la mañana y el frío subiendo hasta las puertas
como un animal que muere
ALEGRÍA
Un huerto, casas
y gente: una
epidermis sobre
la Tierra. La crispación
de una presencia inesperada.
La tristeza perfecta
de un árbol o de un
animal sobre el muro.
El sonido ausente
de tantos años: aquello
que genera
un profundo sufrimiento
EN LA COCINA
Dioses que entran y salen
con el pan
la fruta
un botijo de agua
un gesto de manos
uno con la barriga al descubierto
dos tres años
qué sabrá de su tiempo futuro
interroguémonos
La mamá pone los ojos en el aire
así son los sueños
recorridos por lugares insondables
áfrica américa
el llanto del filósofo encubre al Sol
con sus manos enflaquecidas acaricia un hombro
el más pequeño mira hacia un rincón
el rastro de algún familiar
abuelos sobrinos comadres
un burrito blanco junto al montón de dalias
Si amáis las bellas canciones
id hasta el principio de la noche.
(Valle del Jerte, 2000)
RELIQUIA
¿Dónde está el silencio, dónde yace el silencio?
No en este brazo sucio cortado
No en esta tupida alfombra en este taco de apuntes
donde se cruzan insultos rimas
No en el pequeño perímetro de las venas
-al final todo todo entre nubes de carbono
semejantes a un aliento de campesino sobre la nieve
donde se aplastaban insectos y excrementos de lobo
El primo mayor antaño me lo enseñó en un mes adolescente.
Dónde en qué isla de desolación
sofocado incierto yace ese soberano
silencio zurcido por marcas de cuchillo de piedra
No no hay ruido de un paso que camina hacia la belleza de un rostro
saliendo de un vaciadero hasta el lodo musgoso de la orilla
Brillante como celofán
El silencio que respira
Sí el silencio calido de quien busca el vacío
o de quien busca un color dentro de la carne recordada
de la mano hambrienta de muchos oscuros anhelos
El silencio que se recoge
que se desdobla
que nos recuerda de instantes y pérdidas
El silencio que permutamos
El silencio más allá de la luz entre los ojos de una fiera muerta.
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MensagemAssunto: N.Saião   Sab Set 22, 2012 11:50 pm

Caros confrades e amigos/as

Não, não venho falar-vos de absurdo e de desespero - apesar de tudo o que se passa e, temo, irá passando no país, na nação, na pátria.

Como exemplo mínimo refiro-vos apenas, num segundo, isto que pude constatar pessoalmente: durante bastante tempo as leis que tinham a ver com a circulação automóvel foram deixadas ao deus dará. Com o típico desleixo das administrações e o típico desprezo para com o cidadão luso (?) as Finanças deixavam tudo no vago - e o cidadão desprevenido no vago ficava...

Pois há meia-dúzia de dias, agora que o Estado está com as calças na mão e tenta, desesperadamente (digo eu com boa-vontade e carinho, pois se calhar o desespero é mas é nosso!) arranjar dinheiro dê lá por onde der, lembraram-se que haveria carros já na sucata ou mesmo já inexistentes, a quem chamar à pedra.

Vai daí, mihares largos de pessoas começaram a receber da repartição de assuntos tributários, como agora se chamam aqueles serviços, cartas para que pagassem os selos de circulação desses antigos veículos já a fazer tijolo.

E embora muitos, creio que se calhar todos ou quase todos, tenham apresentado ou estejam a apresentar declarações em como esses carros não circulam (porque não existem) há vários anos, vão ter que pagar selos - em paralelo aos que pagaram pelos carros que de facto utilizaram/utilizam a partir do falecimento dos outros.

Ou seja e como se diria ironicamente, com uma magoada ironia: nos tempos de Salazar havia mortos que votavam, agora há carros fantasmas que circulam ainda que estejam há anos no pó dos cemitériosde popós, mortinhos da silva!

Mas vamos ao que de facto importa, que isto foi apenas detalhe em tempos de crise (que nós povinho não provocámos, mas que teremos de pagar porque estamos cheios de pecado, para usar esta expressão para-religiosa...de alguns lúcidos comentadores!

Quero eu dizer sim que vos remeto, em anexo, um texto analítico - que irá sair em diversos órgãos de comunicação, interactivos e não interactivos, no país e no estrangeiro - em que me debruço sobre um excepcional acervo de foto-colagens dum dos mais representativos autores brasileiros de hoje (como poeta e ensaísta, como tradutor e interventivo viajeiro em toda a América, sendo uma verdadeira placa-rotativa para confrades, para vozes da criação artística, para acções de criatividade em transversal postura): Floriano Martins, de que também vos dou em iluminação 4 dessas Máscaras a que o acervo se reporta e que foram o leit-motiv duma Exposição recente no país irmão.


Bom fim-de-semana tanto quanto possível, vos deseja o vosso de sempre

ns
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MensagemAssunto: 23/09/012   Dom Set 23, 2012 3:16 pm

O nosso colaborador (in Página de Cultura e Crítica Ablogando) Vicente Páscoa, deu uma entrevista a Hugo Novaes Filho, na secção do jornal de Artes editado pela Associação "Carré Rouge".

Entre outros assuntos tendo a ver com o momento especial que a Europa atravessa, com Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha à cabeça, foi abordado especificamente o caso português, visto andarem - tanto pelos órgãos de informação como por certas autoridades - a serem descobertos crimes económicos da mais diversa índole que com a suspeita complacência, senão mesmo cumplicidade, de quadros do Estado e do sistema judicial, defraudaram e continuam a defraudar a Nação (ou seja, todos nós) em milhões de euros, o que agravou decisivamente o défice e o índice económico com resultados que todos conhecem.

Para além de ter chamado a atenção para as surpreendentes revelações, claramente do foro do abuso societário, desmascaradas no programa "Sexta às 9" em boa hora dirigida pela jornalista Sandra Felgueiras - o vídeo está na Internet e sugerimos que o veja pois ficará estupefacto com ele e com o que foi descoberto pela investigação levada a efeito - Vicente Páscoa responde como segue a uma pergunta do entrevistador.
Resposta essa que temos por límpida e certeira e, por isso, aqui a deixamos aos confrades para um minuto de leitura:

"Sempre que alguém justamente indignado tece críticas à classe política, que se tem portado como uma quadrilha de lapidários, de ladrões e de videirinhos torpes, aparece de imediato um ou mais opinadores, ou escrevedores mesmo, a dizer que aqui d'el-rei que querem acabar com a democracia.
De forma alguma. O que se deseja é acabar com os "gangsters" que, com o pretexto de serem políticos ou lhes andarem nas imediações, agem discricionariamente e se servem daquela retórica intimidatória, em última análise manipuladora e mentirosa, para seguirem em frente. Com o pretexto de "aprés moi le déluge". Pura encenação, pura velhacaria conceptual.

Se em Portugal ainda vigora um Estado de Direito é necessário que o Presidente da República, que é o mais alto magistrado da Nação tendo por isso legitimidade para agir nos ramos que certificam as Instituições, mande investigar pelos organismos próprios todo o "processus legis" que enforma esse desiderato, uma vez que o país e a comunidade que este engloba, os cidadãos por extenso, têm sido gravemente prejudicados por esse verdadeiro polvo que é o mais representativo rosto da crise".

Um bom domingo vos deseja o vosso, cordialmente,

ns
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MensagemAssunto: ns   Qui Dez 20, 2012 12:57 am

Torturou bebé, mas não foi preso
Henrique Raposo, no Expresso:
“Não invento, veio no jornal. No ano passado, um ser de 22 anos partiu o braço esquerdo, queimou os olhos, pés e lábios de um bebé de um ano. O ser ainda pontapeou o seu pequeno enteado nas pernas, nas costas e nos órgãos genitais. As marcas duraram 113 dias (internamento hospital). Na sexta-feita, o ser foi colocado em liberdade. Um indivíduo chamado Jorge Melo, juiz da 8.ª Vara Criminal, deu como provados os actos de violência, mas assinou uma pena suspensa; este juiz da República disse que estávamos perante um situação atroz e até afirmou que o réu mostrou indiferença perante os seus actos, mas não o puniu com prisão efectiva. Porquê? "O tribunal acredita que o simples risco de prisão é suficiente para não repetir crimes". Quando ouviu isto, o réu começou a rir”.
Sim, Portugal está doente, mas a doença não é económica. É de outra espécie .
*
Esta notícia que devia ser surpreendente mas, no Portugal de hoje dominado por um regime cripto-fascista de fachada democrática tendencial já não surpreende ninguém, foi transformada num oportuno Post pelo meu/nosso confrade Manuel Graça e dado a lume no ABLOGANDO,
Aos amigos e confrades estrangeiros, que aos portugueses não é necessário (eles andam nas ruas reais desta república quase irreal), esclareço que o ambiente produzido pelo pervertido, eticamente corrupto e anti-democrático Sistema Judicial (criminal e fascizante, seja na sua versão direitista ou pseudo-esquerdista) tal como o descrevi no meu texto, de que talvez se lembre, “O crime e a sociedade”, tem estado a agravar-se: já não se contam apenas pelos dedos os casos de injustiça propositada, orientada ou prepotências oriundas do mais deficiente sector da República Portuguesa, dominado por figuras duvidosas ou decididamente sinistras incrustadas nos cinzentos corredores onde estruturaram o seu poder abusivo desde o tempo do antigo regime salazarista.
É necessário que os portugueses, individualmente ou em grupos conscientes, apresentem sucessivas queixas no Tribunal Penal Internacional (TPI), pois o que está em causa são reais crimes, judicialmente efectuados, contra a Humanidade.
Só assim se conseguirá, no sector que descrevi como “o cancro que está a destruir a democracia possível”, o ar ambiente que chega a ser irrespirável, se modifique. É imperioso que certos áulicos sejam responsabilizados e, depois de o TPI democráticamente agir, com todos os direito de defesa que usa pôr em epígrafe, se verificados como culpados demitidos e metidos na prisão, pois é aí o seu lugar.
Portugal não pode continuar a ser uma coutada de tendenciosos e de corruptos éticos! Eles não podem continuar a destruir a Pátria e os seus habitantes naturais!
Viva a democracia, viva Portugal!
Nicolau Saião
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NICOLAU SAIÃO
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