G.P.S.C. de Montargil
informação
InícioInício  PortalPortal  CalendárioCalendário  GaleriaGaleria  FAQFAQ  BuscarBuscar  MembrosMembros  GruposGrupos  Registrar-seRegistrar-se  Conectar-seConectar-se  
Conectar-se
Nome de usuário:
Senha:
Conexão automática: 
:: Esqueci minha senha
Tópicos similares
Últimos assuntos
» MUSEU ONLINE
Ter Abr 29, 2014 8:17 pm por lino mendes

» MUSEU ONLINE
Dom Abr 27, 2014 7:27 pm por lino mendes

» MUSEU ONLINE
Sab Abr 26, 2014 11:22 pm por lino mendes

» MUSEU OINLINE
Sab Abr 26, 2014 9:29 pm por lino mendes

» MUSEOLOGIA
Sab Abr 26, 2014 9:21 pm por lino mendes

» JORNAL DOSSABORES
Sex Abr 25, 2014 8:55 am por lino mendes

» LITERATURA
Ter Abr 22, 2014 9:36 pm por lino mendes

» O LIVRO
Ter Abr 22, 2014 9:33 pm por lino mendes

» O LIVRO
Ter Abr 22, 2014 9:31 pm por lino mendes

Buscar
 
 

Resultados por:
 
Rechercher Busca avançada
Rádio TugaNet
Geo Visitors Map
Agosto 2017
DomSegTerQuaQuiSexSab
  12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
CalendárioCalendário

Compartilhe | 
 

 COZINHA REGIONAL

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
lino mendes
Admin


Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: COZINHA REGIONAL   Sab Jun 04, 2011 9:03 pm



Crónicas, Livros, Gastronomia...
Virgílio Gomes


Identidade Regional? O risco de se perder.
Sexta, 03 Junho 2011 15:50

Como se construiu, e se reconhece uma identidade regional na alimentação? Hoje parece-nos, ainda, fácil caracterizar uma região pois ainda temos na memória hábitos e tradições que se instalaram durante gerações. E a minha geração ainda viveu e foi educada com essas tradições que tinham origem naquilo que a natureza espontaneamente produzia, ou aquilo que os homens orientavam na agricultura de feição com as estações do ano. Depois essa identidade também foi marcada pela dificuldade de transportes. Como o Prof Cláudio Torres afirmou a identidade é resultado da distância que uma mula se poderia deslocar durante um dia. Significava que a partilha de alimentos, perecíveis, só se efetuava até onde o transporte era possível num dia. Assim foi criado um receituário de acordo com os produtos que a região produzia e esse receituário executado em calendário da natureza ou de festividades quase sempre de origem religiosa. Claro que havia outros produtos como o bacalhau e o polvo que chegavam com facilidade por serem secos e permitirem o seu armazenamento. Outras artes de culinária instalaram também um receituário que permitia com facilidade manter em qualidade produtos alimentares mais duradouros como eram as bolas de carne, e todo o tipo de folares, e ainda como exemplo o escabeche. Faziam-se também cuscos. E assim podemos, ainda hoje, definir a identidade de Trás-os-Montes pela alimentação e seus festejos associados.
Mas durante quanto tempo poderemos ainda confirmar essa identidade? Às vezes afirmo, de forma exagerada, que dentro de cinquenta anos, os elementos que caracterizam a nossa identidade, farão parte de um capítulo arqueológico. A matriz vai-se extinguindo. E porquê? Será só pelo avanço civilizacional? Será pela nossa passividade? E a força da desinformação? Um pouco de tudo. Ora vejamos como os hábitos sociais, as necessidades de trabalho, o desenvolvimento dos transportes e especialmente a velocidade da informação. De que modo temos nós as culpas, ou passividade, e como podemos inverter o círculo? Porque foi tão fácil as pizzas, os hambúrgueres e os sushis entrarem no nosso quotidiano? Porque aceitamos fruta acompanhada de açúcar? Será que a linguagem da nossa comida era complexa e difícil? Eu sei que os tempos mudaram e que as nossas mães tinham como tarefa de vida a nossa educação, e comíamos em casa. Hoje têm que trabalhar fora de casa e os filhos comem nos refeitórios das escolas. Eu só conheci essa realidade quando fui para o ensino superior no Porto. Corremos o risco de rapidamente descaracterizarmos a nossas origens. E porque devemos fazer a defesa e manutenção das nossas tradições? Porque temos uma história. Porque o futuro só se constrói com um passado que evolui. A cozinha, ou a arte culinária, é um ato de criatividade. E que acompanhou ritualidades, festividades e até um certo cerimonial. A cozinha desenvolveu os primeiros atos conviviais. E foi sempre evoluindo. Mas quando essa evolução apresenta ruturas cria abismos como os que vivemos atualmente, e pouco respeitar aquilo que era nosso. Por isso é importante proteger e apoiar as comunidades ou associações que continuam as tradições e respeitam a sua evolução.
Mas deixem-me apresentar dois exemplos. Um da desinformação sobre uma receita de Trás-os-Montes. E outra de facilidade e comodismo do Brasil. Recentemente uma revista de culinária e com aspeto gráfico atrativo (Click in Gourmet) apresenta na capa a receita de “Feijoada à Transmontana”. Depois vai ler-se a receita e deparamos nos ingredientes com “chouriço regional” que não quer dizer nada pois em Trás-os-Montes deveria referir “chouriça”. De seguida insere dois enchidos que os transmontanos não apreciam nem confecionam: farinheira e morcela. Para encerrar em disparate enfeita com um ramo de “coentros”! Sim, é de pasmar. Ora a feijoada é à transmontana porque deveria utilizar os produtos da região. Os enchidos citados são das Beiras e o coentro é ainda identificador do Alentejo… O outro exemplo de “comodismo e facilidade” é a utilização massiva do leite condensado na maioria dos doces na Brasil. A utilização alargada do leite condensado está a descaracterizar a doçaria brasileira! Eu sei que é mais fácil…
Força com os elementos da alimentação que ainda nos identificam. E não esqueça que a comida sabe melhor se acompanhada por um bom vinho.
© Virgílio Nogueiro Gomes
Maio 2011

Nota: Defender a COZINHA REGIONAL é também dignificar o TURISMO pois este não pode ser apenas Indústria mas essencialmente CULTURA.
Passa-se com a Gastronomia o que se passa com outras vertentes da Tradição. É preciso, é urgente, que sem alienações se situe a mesma no tempo. Os que como eu pugnam pela “cultura da tradição” não pretendem travar o desenvolvimento, mas ter uma referência que signifique Identidade.
Parabéns ao Amigo Virgílio Gomes por mais este artigo, aliás na linha de excelência dos anteriores.
Li
no Mendes
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
 
COZINHA REGIONAL
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» A Minha Mãe Cozinha Melhor Que a Tua
» Corujas Sem Asas |Episódio 1x15 - O Preço do Pecado

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
G.P.S.C. de Montargil :: Comunicação DIVULGAÇÂO :: Gastrononia :: Gastronomia-
Ir para: