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 GENTE QUE ESCREVE

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lino mendes
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Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: GENTE QUE ESCREVE   Seg Nov 22, 2010 8:45 pm

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lino mendes
Admin


Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: JORGE DE CASTRO   Seg Dez 06, 2010 4:13 pm



Nota introdutória:


Esta é uma singela homenagem à minha terra e a algumas figuras que marcaram a sua época no seio da sociedade Montargilense. Foram personalidades que eu tive o privilégio de conhecer e com elas contactar no dia-a-dia e que, sem dúvida ,ficarão para sempre na minha memória e no meu álbum de recordações. É com o maior respeito, admiração e carinho que aquí as invoco e aproveito para cumprimentar as suas famílias.
Este foi um trabalho com o qual eu concorri aos Jogos Florais de Montargil de 2010, cujo tema era “A Minha Terra” e que gostaria de partilhar com todos vós. Os mais avançados na idade gostarão por certo de ver desfilar perante seus olhos recordações da sua juventude e os mais novos poderão recolher aquí alguma informação do que era a vivência na nossa terra nos anos cinquenta, sessenta e setenta; devido às regras exigidas pela organização cujos trabalhos não poderiam exceder mais de duas páginas, toda a narração está apresentada de uma forma um pouco compacta e resumida pelo facto apresento, desde já, as minhas desculpas, desejando no entanto que mesmo assim possa ter contribuído para um melhor conhecimento de quem fomos, como somos e do que poderemos orgulhar-nos de ter pertencido.
O meu respeito e os meus cumprimentos para todos, com amizade e muito orgulho de ser Montargilense!...
Montargil, 19 de Julho de 2010, Jorge de CastroA minha terra,


É uma manhã soalheira. A ponte de madeira da Tojeirinha que une as duas margens mira-se nas águas cristalinas da Ribeira do Sor que corre o seu percurso, lavando a roupa às muitas lavadeiras que mergulham seus pés no seu leito transparente, para logo de seguida banhar os choupos e os salgueiros, mitigando a sede às hortas que a ladeiam, de um lado e do outro que, por sua vez, a vão estreitando num abraço como que de agradecimento pela frescura que esta lhes transmite, acompanhando-a na sua caminhada rumo à foz no rio Tejo.
Mais a norte surgem as hortas do Laranjal e da Quinta, de cujas entranhas saem todos os géneros hortícolas que a cada domingo enchem as bancas da praça da Restauração. Das copas das suas árvores saem coros de passarinhos chilreando e cujos ramos com o seu baloiçar parecem tentar acompanhar aquela melodia celestial, pedindo ao vento que com a sua brisa a espalhe por toda a parte.
Rumo ao poente, subimos mais acima ao encontro do marco geodésico de 2ª categoria, implantado no cume do monte denominado” Guarita”, espraiando-se então perante os nossos olhos, como algo de surreal, a paisagem da charneca Alentejana!...
Uma enorme mancha de sobreiros e azinheiras pintam o horizonte de um verde viçoso e belo. De uma pequena fonte surgem algumas mulheres transportando à cabeça os cântaros de barro com o precioso líquido que irá mitigar a sede a quem se verga sob um sol escaldante na difícil tarefa da tiragem da cortiça. Mais além são as flores de esteva num branco alvo digno do manto de uma rainha. Um monte com suas paredes caiadas de branco corta aquele soberbo quadro como que a lembrar que não estamos sós neste paraíso, ao mesmo tempo que algumas juntas de bois, marchando lado a lado, rasgam as terras preparando-as para novas sementeiras que irão encher os celeiros de pão.
Do outro lado surge a campina a perder de vista, onde rebanhos de ovelhas pastoreiam ao mesmo tempo que os seus chocalhos vão entoando um cântico que enche e rebate em cada recanto, anunciando a sua passagem.
Estendida ao longo do cerro de uma colina altaneira, debruçada sobre o, atrás referido, rio que lhe serve de espelho, contemplando toda a maravilha ao seu redor e no meio de toda esta harmonia, ergue-se aquela que é considerada, pelos seus nativos, a mais bela Vila Alentejana, Montargil.
As ruas sinuosas ora descendo, ora subindo são empedradas e limpas. As casas são caiadas de um branco alvo, bordadas a azul ou amarelo nas molduras das suas portas e janelas, virando-se para o céu como que querendo rever-se naquele azul tão límpido e sem nuvens. Tudo é harmonia e pacatez; é o Alentejo em todo o seu esplendor e beleza.
As moças, trajando as suas vestes domingueiras e transportando ramos de alecrim, vão passando alheias a estes acontecimentos, dirigindo-se à Igreja Matriz onde, depois de terem assistido à missa, integram a procissão tradicional do Senhor dos Passos, que começa a percorrer as ruas da vila devidamente engalanadas com colchas vistosas dependuradas das janelas e sacadas, bem como atapetadas de alecrim e flores que desenham belos jardins efémeros, próprios deste dia festivo da comunidade católica. Em duas filas compactas, estendendo-se ao longo de cada um dos lados da rua, sempre acolitados pelos elementos que compõem o Corpo Nacional de Escutas local, o Agrupamento nº130, os crentes vão acompanhando o seu Pároco António dos Santos Pereira que, sob o Pálio, transportado por seis ilustres figuras da comunidade, Srs. Carlos Travassos, António Pina, Manuel Manata, José Mendes, Virgílio Nogueira e Silva Godinho com eles comunga as suas preces e é desde sempre o seu fiel confidente e amigo. Na cauda deste cortejo segue “ A música”, como é conhecida, carinhosamente, a filarmónica que faz o orgulho de toda a população, composta por excelentes executantes, todos naturais da freguesia -Srs. Xico Lourenço, mestre Vasco, Zé Arlindo, Joaquim Carlos, António Carlos, Viterbo, Tiérico, António Godinho, Salsinha, Zé Espanhol, Zé Patrício, António Soeiro, Alexandre Soeiro, “Fouchinha”, Zé Cardoso, Zé Tomé e muitos outros… - superiormente regida por aquele que é o seu verdadeiro coração e pulmão, o sempre querido e respeitado maestro Manuel Alves do Carmo. Todo o cortejo vai avançando vagarosamente ao som da banda, rumo ao Alto Santo onde o Senhor encontrará S. Ildefonso, o patrono da nossa freguesia, que o aguarda e acompanhará no retorno à igreja Matriz, pondo assim fim às comemorações religiosas.
São duas horas da tarde, o sol brilha, a atmosfera é festiva e quente, os homens acotovelam-se desde a tasca do “Zé Gabirra” até ao café do “Carlos Amador” junto da Praça da Restauração, falando de tudo, entrando e saindo das tabernas do Cassurras” e do Depósito” do Zé Grande bem como dos cafés do “Militar” e do “Pailó”, onde vão matando a sede, tagarelando e esperando notícias dos “manageiros” que os irão recrutar para a jornada da próxima semana, assegurando-lhes lugar no seu “rancho” e garantindo-lhes, assim, o seu sustento e de suas famílias pelo menos para os próximos oito dias, após os quais voltarão, mais uma vez, tal como seus pais e seus avós o já haviam feito, a este mercado tão ingrato quanto suigéneris, tradicional e exclusivo desta vila e destas gentes. Os mais abastados aproveitam a disponibilidade do “Ramildes” e do Batalha para engraxarem os sapatos completando, deste modo, a sua toilette.
As raparigas aproveitam para passear de braço dado rua acima, rua abaixo exibindo com vaidade os seus melhores trajes, na tentativa de encontrar a sua cara-metade neste mar de gente que enche, por completo, todo o espaço disponível e ainda não ocupado por um número incalculável de bicicletas, encostadas umas às outras contra as paredes das casas.
Outros dirigem-se ao campo D. Berta Courinha, na Lomba, onde em breve o Montargilense irá escrever mais uma página de glória ao seu brilhante historial. Desta vez surge no seu caminho rumo ao título de campeões da FNAT o sempre difícil Bairro da Boa Fé, de Elvas. Tudo está já a postos. As sempre presentes e insubstituíveis adeptas, D. Lobélia Matono e Celestina Trindade acompanhadas dos respectivos guarda-chuvas, utilizados não raras vezes como arma de arremesso contra os senhores de preto, quase sempre empenhados, na sua opinião, em prejudicar o clube do seu coração, também já estão a postos nos seus lugares comuns e bem estratégicos.
A equipa vai entrar no pelado, também apelidado de “ S.Siro”, por, tal como no mítico estádio Italiano, aqui ser muito difícil alguma equipa forasteira levar a melhor aos nossos rapazes que hoje vão alinhar com o seguinte onze: António Augusto, Zé Varandas, Joaquim Correia e Varela; Marcolino e Manuel Correia e na frente de ataque, os cinco magníficos: Manuel Moreira, José Alberto, Carlos, Lopes e António Varandas. O treinador, sr. Manuel Batista, conta ainda no banco com: Lecha, Luís, Guimarães, Narciso e Domingos como massagista.
Terminado o futebol, e após o jantar, segue-se nas instalações, sempre exíguas, da Sociedade Artística Montargilense, o tradicional baile da pinha, hoje abrilhantado pelo exímio e já conhecido acordeonista Sr. Vitorino Matono.
O mestre Avelino Batista, acolitado pelos Srs. Urbano Grilo, António Pires Ferreira e seus pares prepararam já a pinha que irá determinar qual o Rei e a Rainha deste ano, possibilitando, talvez, mais um enlace que virá a acabar em casamento, como tantas vezes sucede e a malandrice dos organizadores, não raras vezes, faz acontecer.
As jovens vão chegando e subindo ao primeiro andar, acompanhadas pelas respectivas mães, avós ou tutoras, todas elas de olhos sempre bem abertos e fósforos a postos não vá faltar a luz e a escuridão lhes tolhe a vigilância. Por sua vez, os rapazes fazem uma primeira avaliação das presenças e consequentemente das possibilidades que poderão surgir. Também envergam os seus melhores trajes, têm os sapatos a brilhar e não pouparam, nem um pouco, na brilhantina que lhes corrige o penteado. É chegada a hora que toda a semana foi desejada e planeada. -” Hoje é que ela me vai dizer sim!...” - Pensam alguns num suspiro incontido! Entretanto, tomam-se umas cervejas na companhia de algum amigo para arejar um pouco os pensamentos e reforçar a coragem para os momentos que vão seguir-se.
O baile começa e é vê-los invadirem a sala rumo às “febras” que, do outro lado da sala, os aguardam. Eles na esperança de que o seu pedido para dançar seja aceite, elas na expectativa de que seja o seu eleito a dirigir-se-lhes. Rapidamente se percebe que a sala é pequena para tanta gente e há que fazer dois turnos e mais tarde três, a fim de que reine alguma ordem.
Após algumas séries de dança, faz-se um intervalo para que se possam arrematar algumas fogaças que irão, certamente, contribuir para que a receita possa fazer face às despesas com a organização do acontecimento, e, ao mesmo tempo, aproveitar para se proceder à eleição dos reis.
Após tudo isto, e porque a noite já vai longa, as moças do campo começam a debandar, pois ainda terão que percorrer muitos quilómetros a pé até suas casas e destas, mudar de roupa, pegar no farnel e seguir para o trabalho, sabe-se lá a que distância, pois mais uma semana de trabalho duro, difícil e mal remunerado do campo as espera.
É assim a vida na minha terra onde gente unida, gente honrada, trabalhadora, alegre e verdadeiramente bairrista deixa escrita cada dia, com amor com lágrimas e com muito suor a história do que é SER MONTARGILENSE!

Elaborado por:
Jorge Castro/Maio de 2010

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