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     O BARBEIRO

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    AutorMensagem
    lino mendes
    Admin


    Número de Mensagens : 869
    Data de inscrição : 27/06/2008

    MensagemAssunto: O BARBEIRO   Seg Nov 08, 2010 10:41 pm

    O Barbeiro


    António Augusto Francisco perfez em Março passado a bonita idade de cinquenta anos
    de profissão, facto a registar e oportunidade para uma conversa sobre uma actividade tão
    enraizada nas vivências do nosso povo—a de BARBEIRO.
    O António teve como Mestre o Augusto Sirinéu, numa altura em que o período de
    aprendizagem era de dois anos, naturalmente sem remuneração embora sempre aparecesse
    uma “recompensa”, mas ele ficou-se pelos dezoito meses dado que comprou a oficina quando
    o “mestre” foi para o Brasil.Situava-se a mesma na Rua da Misericórdia, junto à “pedra da
    miséria”,e foi daí que mais tarde transitou para a Rua do Comércio ( 1969) onde ainda hoje se
    encontra, depois de uma curta ausência na Bélgica o que, segundo nos diz ,socialmente o
    marcou.


    Mas como se processava essa aprendizagem?
    Antes de mais, o varrer da casa era com o aprendiz, que pouco a pouco ia aprendendo as
    diversas funções como colocar o pano para fazer a barba, colocar o pano para cortar o
    cabelo,e fortalecendo o pulso abrindo e fechando a chamada máquina de quatro zeros.
    Mais material necessário ( ente outro; claro):a cadeira( a então famosa marca A. Pessoa),a
    navalha, o”assentador para a afiar a mesma, o pente ,uma cabaça para o álcool e outra para o
    pó de talco, o espelho fixo na parede e de frente à cadeira e o outro pequeno para que
    colocado por detrás da cabeça se pudesse ver como o mesmo estava, o pincel e a respectiva
    taça, uma pequena escova…
    Havia ainda a cadeira de madeira onde os aprendizes começavam e se cortava o cabelo às
    crianças.
    Nessa altura havia as categorias de “aprendiz” e de “mestre”enquanto hojenesta como
    noutras profissões se geralizou as de formando ou praticante e formador….
    Cabelo ou Barba ,qual o trabalho mais difícil?
    O cabelo exigia mais arte, mas para a barba era preciso conhecer a navalha, aí residindo o ter
    mais ou menos fregueses. Enquanto hoje a navalha tem uma lâmina que ao partir-se se
    substitui, naquele tempo não era assim.E quanto mais suave fosse o fazer da barba…

    Entretanto, rapada a cara…[URL=http://illiweb.com/fa/pbucket.gif]

    [URL=http://illiweb.com/fa/pbucket.gif]
    Havia que desinfectar ,para o que havia o “álcool”que no entanto e como alguns diziam
    “picava” um pouco pelo que preferiam o “sublimado”,este a comprar na Farmácia em forma
    de comprimido, onde só era vendi do aos donos das barbearias. Após o que se passava ainda a
    “pedra-pomes”que estava colocada num pequeno recipiente juntamente com o “lápis” para
    parar o sangue quando disso era caso.
    Nessa altura, o custo da barba era dez tostões (1$00) e do cabelo três e quinhentos (3$50).

    As barbearias eram muitas?

    Sim,e começando pelas Afonsas tínhamos o RAPOSO(que até tocava concertina),o ZÉ
    DA BARRACA, o BOTTO, o PAILÓ,O ZÉ TRINDADE, o MANUEL AIROSO, o ANTÓNIO DO
    CAFÉ, o CAVACO o ZÉ DE VISEU…
    E, claro, ele. E ainda os que trabalhavam nos Foros do Mocho, em Vale de Vilão e
    Farinha Branca. Anteriormente, recordo-me ainda do RASCÃO, do ZÉ CARDOSO e do
    JAIME.

    Mas a verdade é que havia muito serviço…
    Havia mas ao fim de semana, e em datas como a Feira, o Natal, a Páscoa, o Carnaval, alturas de festa em
    que inclusivamente colegas de Cabeção nos vinham cá ajudar. Depois eu e o meu mestre retribuíamos por
    altura dos Passos que levavam muita gente e Cabeção.
    Recordemos entretanto que o descanso era à segunda-feira, só passando para o domingo depois de uma
    petição feita ao Dr:Manuel Fernandes, então Presidente da Câmara.
    Mas falemos então do “corte de cabelo”
    Se fosse hoje tudo seria mais simples já que a juventude não é exigente, por vezes qualquer corte de cabelo
    serve. Mas naquele tempo, havia o “guarda lama”junto às orelhas que tinha que ficar fechado ,assim como
    o “disfarce” no pescoço, mais difícil que o “vincado”.Diga-se, entretanto, que ainda hoje quando se dá
    formação a e se abordam os métodos básicos para execução do corte de homem, merecem destaque “ as
    técnicas de contorno e disfarce de nuca e patilhas”.
    Nessa altura pedia-se em especial o “caldinho” e o “risco ao lado”,não se usava o cabelo penteado para
    trás. Usava-se então a “brilhantina” para dar brilho ao cabelo, e o “fixador”para o fixar”, em especial
    quando algum era espetado à sivela como então se dizia.
    O cliente gostava também muito de cheirar bem ,e para isso tínhamos a “àgua de cheiro” e a “àgua de
    colónia”

    Olhando então em redor constatei que as paredes e da oficina estão cheias de diplomas de “formações” que
    o António Augusto frequentou, e de fotografias com diversos cortes de cabelo, certamente , pensei eu,para o
    cliente escolher .Mas que nada disso pois que o corte que dá para um cliente pode não dar para outro. Cada
    cabeça é um caso para o que têm a ver vários factores, como a configuração dos ossos da cara e até , a
    maneira de vestir e de andar.

    Em que altura é que as mulheres começaram a cortar o cabelo nas
    Barbearias?

    Quando comecei a trabalhar o meu mestre já cortava o cabelo a mulheres, acontecia até que as “do campo”
    vinham à noite cortá-lo…


    Possivelmente era quando podiam

    Nada disso, era para não serem vistas ,e regressavam a casa de lenço na cabeça. É que quando viam as da
    vila caminhar para a barbearia, chamavam-lhe um certo nome..E o curioso é que quando se juntavam na
    loja davam-se muito bem, mas depois cá fora é que era…
    E atenção que nos anos 60 já por aqui havia mulheres e mesmo homens que pintavam o cabelo—e
    mostrou-me o recipiente para a tinta. O trabalho era até feito numa outra sala, lá para o fundo.
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    Aníbal



    Número de Mensagens : 71
    Localização : MORA
    Data de inscrição : 30/10/2008

    MensagemAssunto: Re: O BARBEIRO   Qui Nov 11, 2010 2:40 am

    Grande António Augusto!! Foi o meu barbeiro no tempo em que eu estava na Casa Travassos. Pessoa afável e educada, tinha um jeito especial para falar com os mais novos, e o seu Sportinguismo ferrenho, nunca chocou com o meu Benfiquismo.
    A propósito desta entrevista, lembro-me de uma outra, que ambos demos ao Arauto, sobre o Carnaval de Montargil, p'rai há quarenta anos, não me lembro se ao amigo Lino, se ao Padre Pereira.
    Agora que há a possibilidade de consultar o Arauto, via Net, ainda hei-de procurar isso.
    Não sei se o amigo António Augusto frequenta o Fórum, mas de qualquer maneira, aqui lhe deixo um abraço.
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    lino mendes
    Admin


    Número de Mensagens : 869
    Data de inscrição : 27/06/2008

    MensagemAssunto: OBRIGADO ANÍBAL   Qui Nov 11, 2010 2:16 pm


    OBRIGADO!

    Obrigado Aníbal pelo contributo que vens dando a este FORUM,com a tua escorrei ta maneira de escrever, que se lê sermpre com muito agrado.
    Qualquer dia temos que arranjar maneira de uma troca de impressões.

    Um abraço
    Lino Mendes
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    MensagemAssunto: Re: O BARBEIRO   

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