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 C/DR.JOSÉ ALBERTO SARDINHA

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AutorMensagem
lino mendes
Admin


Número de Mensagens : 869
Data de inscrição : 27/06/2008

MensagemAssunto: C/DR.JOSÉ ALBERTO SARDINHA   Sex Ago 06, 2010 9:20 pm

Conversas Curtas

hoje

com o Dr.José Sardinha






O Dr.José Sardinha é uma figura bem conhecido no mundo do tradicional, em especial no campo instrumental. Montargil conhece-o bem, e eu tenho o privilégio de o contar entre os meus Amigos.
Tinha oito obras publicadas, e com a nona que acaba de chegar aos escaparates, vem demonstrar-nos que afinal, o FADO é de origem portuguesa.
Como sempre, amavelmente, e de imediato nos respondeu a algumas questões:



1)Afirmar que o FADO é de origem portuguesa é uma convicção?


A origem do fado :- não se trata de uma mera perspectiva, nem de uma convicção, mas sim de uma conclusão após 22 anos de estudo sobre a matéria e pesquisa de campo por todo o país. O Fado nasceu a partir da fase novelesca do romanceiro tradicional, histórias cantadas pelos jograis e pelos ceguinhos nas feiras e mercados desde a Idade Médias até aos nossos dias. O povo ouvia essas narrações e depois repetia-as nos seus trabalhos e sobretudo nos serões, como histórias de proveito e exemplo, pois quase todas tinham uma moralidade, transmitindo-as de geração em geração até hoje. O povo rural foi depositário desses cantos narrativos, tal como de muitas outras tradições e assim foi possível estabelecer, uma comparação poética e musical entre os romances que recolhi por todo o país ao longo de três dezenas de anos em todas as províncias, com o Fado. E essa comparação é surpreendente e permite-nos falar já não em semelhanças, mas em verdadeira identidade, ou seja, as canções narrativas tradicionais foram os primeiros, os primitivos fados. Chamou-se-lhes fados porque contavam histórias ou episódios de vida, desenlaces de vidas, geralmente tristes (amores abandonados, amores traídos, amores contrariados, etc.), por vezes trágicos (crimes, suicídios, facadas, desastres, mortes por amor). No fundo, o fado original, o fado primitivo é o fado das ruas, o fado dos ceguinhos, aquilo a que todos nós, um tanto pejorativamente, chamamos fado da desgraçadinha ou de faca e alguidar.
Assim, o Fado não nasceu em Lisboa, nem em Coimbra, mas sim em todo o país, nas feiras, mercados, festas e romarias, nas aldeias, vilas e cidades, onde quer que cantassem esses músicos de rua. Como em Lisboa havia mais gente para dar esmola ou comprar os folhetos que eles vendiam, aí se juntava maior número desses músicos ambulantes e aí, já na fase da taberna, que é a fase que se segue à rua, foi conhecido pelos fidalgos boémios e por estes levado para os salões.

2-O fado bailado nada tem a ver com o fado cantado…
Sim, o fado bailado é um ramo diferente do fado doloroso ou lamentoso, do fado primitivo. Como os grupos de músicos ambulantes, em que pontificavam os ditos ceguinhos, estanceavam muito pelas tabernas, onde comiam e dormiam a troco de actuações musicais para a clientela, tocavam também, além dos cantos narrativos, outros géneros musicais, sobretudo direccionados para a dança, alguns dos quais tomaram o nome de fados por um fenómeno de generalização linguística muito frequente. É aqui que se situam os corridos, que estão na base do fado bailado. O fado bailado, tal como o fado lamentoso, existiu em todo o país.






3)-A guitarra é um instrumento bastante antigo

A guitarra é um instrumento que provém da cítola medieval que passou à Renascença com o nome de cítara e foi tocado por todos os escalões da sociedade até finais do Séc. XVIII, passando a partir daí a ser cultivado apenas pelo povo. É, pois, um instrumento muito mais antigo que o harmónio, cuja invenção ocorreu nas primeiras décadas do Séc. XIX. Não admira que os mais velhos afirmem que a guitarra era tocada e só mais tarde surgiu o harmónio, muito embora a expansão do harmónio por todo o território português tenha ocorrido, ao que se consegue apurar, no primeiro quartel da segunda metade do Séc. XIX, o que está fora do alcance dos testemunhos orais.

4-O REALEJO( a harmónica)é anterior ao HARMÓNIO?
Não tenho dados concretos para responder com exactidão a esta pergunta, mas penso que a harmónica de boca antecedeu o “harmónico de fole”, como inicialmente se chamou ao harmónio.

5)-O FADO é FOLCLORE?

A palavra folk-lore foi primeiramente utilizada em 1846 pelo inglês William Thoms, significando conhecimento do povo. Aqui se inclui toda uma vastíssima área de conhecimento espirituais (não materiais) do povo, tal como as lendas, os provérbios, as orações, a música, a dança, os trajos, as superstições, enfim, tudo o que diz respeito às tradições orais. Nesta acepção, o fado, e as marchas populares de Lisboa são folk-lore, o que pode parecer estranho a alguns intervenientes no chamado movimento folclórico em Portugal, porque houve tendência a considerar folclore apenas as danças, cantares e trajos dos ranchos folclóricos, o que, pelo exposto, é uma visão errada, ou pelo menos parcelar, do assunto.
I.
6—Há quem considere que não está correcto a designação de “Saias de Campo Maior”, de “Longomel”,do “Redondo”,etc.etc.visto que as mesmas serem de todo o Alentejo.
O fandango não é do Ribatejo porque é originário de Espanha e introduziu-se em Portugal no Séc. XVIII, vindo a ser bailado em todas as províncias. O corridinho não é algarvio porque existe em muitas outras províncias, tendo a sua provável origem na chotiça centro-europeia que se difundiu em Portugal no Séc. XIX. As saias são originárias de Espanha e também se cantam na Beira Baixa. No entanto, não me choca que se titule “Saias de Campo Maior”, ou Saias de Longomel, ou Saias do Redondo, desde que recolhidas nessas localidades. Pode é suceder – e geralmente sucede – que elas também existam noutras localidades.

7—Há quem considere que uma “peça” que não seja possível tocar num instrumento diatónico não é folclore

Não se pode dizer tal coisa (que uma moda que não seja possível tocar num instrumento diatónico não pode ser folclore). Antes do harmónio, já existia música de tradição oral, muita dela impossível de ser tocada no harmónio, como é o caso da música modal, i. e., construída nos chamados modos arcaicos.
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