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 A MÚSICA NO FOLCLORE DE MONTARGIL

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AutorMensagem
Antonio Mendes



Número de Mensagens : 823
Data de inscrição : 24/07/2008

MensagemAssunto: A MÚSICA NO FOLCLORE DE MONTARGIL   Qua Out 15, 2008 5:33 pm

Dizem que música”corria nas veias” das gentes de Montargil .Atesta-o todo um passado que não podemos nem devemos ignorar, já que seria abdicar de uma identidade cultural imprescindível, fundamental para o desenvolvimento.

Comunidade essencialmente rural, ontem mais do que hoje foi-se construindo assente em suor e lágrimas. De tal modo, que recorrendo a exemplos bem recentes no dia a dia do nosso Rancho Folclórico, os etnograficamente ricos trajos de camponesas (admirados em todo o lado) não têm sido muito bem aceites por algumas mães que os vestiram, já que lhes recordam, dizem-nos, umas fase bem dura da sua existência.

Não obstante, porém, essa vida dura, ou talvez por isso mesmo, a música (como o bailo ou balho como também se dizia) fazia parte do dia a dia da nossa gente. Durante o trabalho ou ao final do mesmo, durante a semana ou no fim da mesma, nos montes e nos terreiros, mesmo na “tasca” então ponto de encontro dos homens e onde se tratava de negócios ou procurava patrão, a música era obrigatória.

Já dissemos que mesmo no trabalho se cantava, que nem em todo o género de trabalho, refira-se. Por exemplo na cava do milho e na ceifa era raro tal acontecer, já que sendo um serviço quase sempre de empreitada, isso não permitia. Já na monda do arroz e do trigo, ora” modas” em conjunto ora “saias” a despique, a cantoria era certa.

Como no “arrancar do mato”.E era nesta faina que se “ cantava a casar”, costume que o Prof.Tomaz Ribas nos dizia não conhecer de outro lado.

Porque o tempo dava para isso e o cantar ajudava, enquanto se ouvia uma camponesa “casando” uma outra, as restantes iam-se preparando que de seguida era a sua vez.

Uma particularidade—a partir da segunda quadra, primeiro verso era sempre a repetição do último da anterior. A “melodia”, essa mudava por vezes de “casar” para “casar”.
Um exemplo:
Olha a Margarida
e o que mais quer ela
que o Luís Caleiro pra
casar com ela

Pra casar com ela
é se ela quiser,
que o Luís Caleiro
leva uma Mulher a
Leva uma Mulher a)
leva uma flor,
olha o Luís Caleiro
que é o teu amor

Que é o teu amor,
que é o teu desejo,
olha o Luís Caleiro
já te deu um beijo

a)-entenda-se aqui Mulher como “uma boa dona de casa
E se o “cantar a casar”era sempre uma cantiga do trabalho, já as “saias” certamente a mais característica moda alentejana, o era também de festa.

Se as “saias” eram por vezes só cantadas --especialmente durante as “descamisadas”— também o eram bailadas , e na maioria das vezes sem acompanhamento instrumental, aliás, no intervalo dos bailarico e quando o tocador de realejo ou de harmónio descansava, eram mesmo os bailadores que cantavam para que a função continuasse.

Diversas são as “melodias”, diversificado é também o aproveitamento das “quadras”. Em Montargil e tanto quanto sabemos, cantavam-se os quatro versos seguidos e depois repetiam-se o terceiro e o quarto e depois o primeiro e o segundo, ou então cantavam-se os primeiros depois e repetiam-se e depois o terceiro e quarto que se repetiam também. Acontecendo ainda, aqui por influência do bailar, que as duas últimas quadram se cantassem três vezes.
Um exemplo:
Menina que tanto sabe
faça -me esta conta bem,
um moio de trigo limpo
quantas meias quartas tem

e a resposta:

Falaste no trigo limpo
mas não me falas no joio,
quatrocentas e oitenta
meias-quartas tem o moio

As “saias” eram cantadas a despique por homem e mulher ou então por duas mulheres, e só tocadas por homens dura as festas do” tirar as sortes”.

Na “tasca” onde só entravam homens, contou-se primeiro a desgarrada, com uma música própria, e mais tarde cantou-se o “fado”., de que deixamos uma “letra:

Ó fado que foste fado,
ó fado que já não és,
ó fado que estás virado
da cabeça para os pés

Ó cantador afamado,
é agora ocasião
canta o fado à desgarrada,
daqui não levas gabão

Daqui não levas gabão,
esta te vou a dizer,
se queres cantar o fado
inda tens que aprender

Tenho um saco de cantigas
inda mãos ma taleigada,
para cantar toda a noite e
amanhã de madrugada

Havia naturalmente outras “modas”cantadas, como o Verdigaio e o Compadre Zé, o Malverde e o Passo Largo (são alguns exemplos) e até os Dois Passos eram por vezes cantados.



Quanto aos “instrumentos”, temos o “reco-reco” de cana e o pífaro também de cana (mais tarde de pau de sabugueiro) especialmente usado pelos pastores, mas não nos consta que se bailasse ao toque do mesmo; temos o harmónio (de 1 e de 2 escalas), acontecendo que o ritmo era algumas vezes marcado por um garfo (de ferro) numa garrafa.

De referir no entanto que nos primeiros anos do século, em 1904, os bailes da vila eram abrilhantados por uma tuna com clarinete (em dó), viola e rebeca, flauta transversal, e bandolim.

Lino Mendes
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