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 FAINAS

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AutorMensagem
Antonio Mendes



Número de Mensagens : 823
Data de inscrição : 24/07/2008

MensagemAssunto: FAINAS   Qua Out 15, 2008 5:13 pm

O ARROZ

Em tempos, Montargil foi uma terra de grande produção de arroz. Como alguém nos dizia na sua linguagem popular, por aqui produziu-se arroz para diante, sendo que hoje as terras onde se fizeram grandes searas estão metidas a eucaliptos e a salgueiros. Certo que se as mesmas fossem limpas continuariam a produzir como dantes, mas eles (os patrões), dizem que não dá a conta pois as jornas estão muitos caras, e adespois não querem pagar uma Caixa…Depois, há certos sítios onde a máquina não vai.
Na Terra Preta, onde em qualquer lugar se fazia arroz, havia um valente arrozal; no Vale das Abertas, na Ribeira da Erra, à Ponte do Cansado eram searas de arroz por todo o lado; no Arrão de Cima e no Arrão de Baixo - eram sítios de boa produção.
Quanto ao respectivo ciclo, a primeira coisa que se fazia quando o terreno tinha muita água, era esgotá-la e começar a fazer combros e, logo que se podia, começar a cavar a terra. Os "combros", que são os "altos" que delimitam o "canteiro", davam mais ou menos pelo joelho.
Cavada que estava a terra, semeava-se então ou plantava-se o arroz, consoante se tratasse de semente ou já de planta. Deixava-se crescer vinte a trinta centímetros para fora de água e mondava-se, isto é tirava-se a milhã (a erva) que se ia colocando em cima dos "combros".Deixava-se crescer, espigava e depois ceifava-se. Era então colocado na "eira" e quando estava bem seco, era "malhado". Chegávamos a ser quatro e por vezes seis, três de cada lado, dizia-me um antigo malhador. Refira-se que a "monda" era feita só por mulheres.
Depois de malhado, o grão de arroz era levado para a descasca que se fazia nos "moinhos de água". Só no Carvalhoso havia sete ou oito- do Júlio Branco, do Chico de Cavaleiros e de outros… Explicam-me então que havia "azenhas" e "moinhos de água". As azenhas tinham umas palas grandes e trabalhava ao contrário, enquanto os "moinhos de água" tinham um "cubo" por baixo, e essa água é que fazia trabalhar as "mós".
Feita uma seara de arroz, precisávamos de dois ou três alqueires para comer, leváva-mos o restante para descascar (depois de tirar também o destinado a semente no ano seguinte) ficando o moleiro com a maquia, (era o nosso pagamento) que depois vendia para fazer dinheiro.
Havia entretanto quem fazia searas em terrenos doutros. Neste caso e por exemplo, o contrato era ao terço (a medir na "eira") em que o dono do terreno ficava com uma das partes.
Refira-se, ainda, que o arroz mais grado (grosso) era o escolhido para a semente.

Lino Mendes


Última edição por Antonio Mendes em Qua Out 15, 2008 5:27 pm, editado 1 vez(es)
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: Re: FAINAS   Qua Out 15, 2008 5:19 pm

A OLIVEIRA/A APANHA DA AZEITONA

Embora com a cortiça a ser a principal produção local, a oliveira chegou a ser uma das grandes riquezas da região, embora se continue a afirmar não serem estas terras das mais próprias para a sua cultura. Hoje e no entanto, e quando o azeite se torna cada vez mais fundamental para uma regrada alimentação, a sua produção, é diminuta, o que está bem expresso na actividade na lagareira.


Levando normalmente uns vinte anos a fazer, uma oliveira diz-nos um pequeno agricultor, pode ter um século ou mais de vida.
Exige no entanto um tratamento que hoje, na era da máquina, se torna impraticável. E continua referindo que existindo nesta terra, em grande quantidade, o olival familiar, com pais e filhos a fazerem a apanha ao fim de semana, a azeitona vai ficando no chão porque o jovem desde há muito não está motivado para tarefa.
Sendo que não há qualquer rentabilidade se tiverem que recorrer ao pagamento de jornas.


Há uns cinquenta ou sessenta anos, as oliveira eram plantadas em terrenos usados também noutras culturas, nomeadamente no milho, para o que obrigava desde logo um tratamento dos mesmos, sendo para o enfeito cavados, lavrados e por vezes estrumados. O que não se justifica se exclusivamente para o olival. Hoje, o cavar e o lavrar com juntas de bois são coisas que pertencem ao passado, e a máquina não entra nas terras onde normalmente (aqui) a oliveira era plantada (com árvores de viveiros ou de escada) aproveitando-se os períodos após as grandes chuvas.


Ontem como hoje, a oliveira necessita de outros tratamentos, de ser esgalhada e mondada.
A esgalha, a fazer-se entre Fevereiro e meados de Abril, de modo a que as geadas não caíam em cima do golpe ainda verde que ficaria ofendido; a monda (o limpar a árvore por dentro de todos os ramos considerados a mais) fazia-se normalmente dois anos depois, não tendo a geada qualquer influência. De referir ainda, que fazendo-se embora e normalmente de cinco em cinco anos, esta pode acontecer num período ocorrido mais dilatado, atingindo por vezes os dez anos.
Quando à apanha da azeitona faz-se normalmente em Novembro/Dezembro, não sendo de esquecer o aforismo de que “quem apanha a azeitona antes do Natal deixa a funda no olival”.


Por falar na apanha da azeitona e recuando um tanto no tempo, refira-se que para cada oliveira se tornavam necessário um homem (o avarejador ) e duas mulheres (as apanhadeiras ).
Então, o homem com um varejão de cinco ou seis metros ia fazendo cair a azeitona para o chão. Posteriormente, e com o aparecimento do pano, passou a usar-se igualmente a escada, e então do cimo da mesma passou a ripar-se (com uma vara aí de meio metro).
De referir ainda, que à falta de eucalipto, o varejão podia ser cana-da-índia de ramos de abrunheira.

E já que entrámos no campo etnográfico, vejamos os trajos.:

Homem: safão de pele de cabra (untando), samarra de pele de ovelha (ou jaleca velha), uma saca pelos ombros, carapuço, e tamancos ou botas cardadas.

Mulher: ceroula, xaile pelas costas (dobrando e atado ao pescoço), lenço e chapéu.

Lino Mendes
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: O TOMATE   Seg Jan 05, 2009 8:02 pm

F a i n a s






Fez-se por aqui muito tomate, aliás ainda hoje se faz, sendo em Abril que os terrenos começavam a ser tratados, para em Maio se proceder à plantação.

Era na altura da plantação que se abriam os regos devendo os combros ficar com uma altura de maneira a que os tomateiros ficassem bem encostados. E quando o mesmo já estava bem enraizado, o rego era tapado com terra.

Entretanto, estandarlha-se o combro, metade para um lado e metade para o outro, ficando o tomateiro no entremeio, aí com uma largueza de um metro e tantos, de maneira a não cair para dentro do rego.

O rego fica entre dois combros, e recebe a água das regadeiras que funcionam em ambos os extremos do terreno e na vertical, se partirmos do princípio que os regos estão na horizontal.

Quando maduro o tomate é apanhado, trabalho que é feito por homens e mulheres.
Lino Mendes


Última edição por Antonio Mendes em Ter Jan 06, 2009 1:22 pm, editado 3 vez(es)
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: O T R I G O   Seg Jan 05, 2009 8:04 pm




O melhor terreno para a cultura do trigo é uma terra calicenta e com poucas árvores.
Faz-se o alqueive (primeira lavoura) em Maio. As terras ficavam revoltas e a torrar Em seguida eram arrojadas e gradadas (final de Setembro), com o auxílio de bois, burros, mulas, etc…. e das respectivas grades e charruas.
Depois imbelgava-se o terreno (abriam-se regos com juntas de bois ou parelhas). Antes de semear o trigo fazia-se uma adubação de fundo.
Estava então tudo pronto para se proceder à sementeira (final do mês de Outubro). Vários homens e por vezes mulheres colocavam num “sementeiro”(ou bornal),meio alqueire, ou um alqueire(quando podiam); e começavam a lançar com as mãos as sementes sobre o terreno.
Quando o trigo estava com aspecto de relva, colocava-se o adubo.
Se nascesse muita erva juntamente com o trigo, falava-se a mulheres para fazer a monda do trigo (que consistia em arrancar as que eram prejudiciais.
Ainda com o trigo pequeno fazia-se a adubação de cobertura, se estivesse seco ou a chover. Com o seu desenvolvimento (do trigo) chegava a altura da ceifa (por volta do S.João), mas nos lugares em que o trigo crescia muito, ou seja, acamava, largava-se o gado a comer à vontade— por que a cama ia prejudicar os ceifeiros.

As pessoas encarregadas da ceifa deslocavam-se para a seara habitualmente a pé, por vezes em parelhas. O rancho era então dividido em vários grupos de cinco e por vezes dez pessoas, tomando tornas (zonas de trigo). Os grupos dispunham-se atrás uns dos outros, apertando-se assim mutuamente, para a ceifa sordir/sortir (era um despique). Cada ceifeiro ou ceifeira tomava três margens.



O trigo depois de cortado era feito em molhos, e carregado nos carros (aqui também o despique). Em seguida era levado para a eira e faziam-se fraseeis (várias carradas de molhos).

Depois, na eira, o trigo era espalhado a volta desta, engatavam-se aos animais um aparelho chamado trilho, e o trigo era assim trilhado (passava-se umas cinco vezes por cima do trigo). Seguidamente separava-se a palha, media-se e ensacava-se. A separação da palha era efectuada com o vento.

Depois de ensacado o trigo era levado para o moinho ou então vendia-se em grão.

O horário do trabalho era então o seguinte:

Ferrava-se (enregava-se) ao nascer do sol.
Almoçava-se às 8 ou 9 horas
Jantava-se às 12 horas
Merendava-se às 16,30
Despegava-se ao sol-posto

Média de ordenado por dia:$50.


NOTA:

Os outros cereais, no tratamento apenas diferiam do trigo no facto de não serem trilhados mas malhados, trabalho que era feito com uma “moeira”.

Lino Mendes


Última edição por Antonio Mendes em Ter Jan 06, 2009 1:24 pm, editado 2 vez(es)
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: C E N T E I O   Seg Jan 05, 2009 8:05 pm

O terreno começava-se a preparar em Fevereiro e pouco depois fazia-se a sementeira, tal e qual como nos restantes cereais com sementeiro manual A adubação era igual ao trigo e mais ou menos na mesma altura.


Depois de ceifado, o centeio é atado, carregado em carros e transportado até à eira. Ao contrário do trigo o centeio não era trilhado, mas malhado pelo homem com a ajuda de moeiras. Em seguida limpava-se, separava-se da palha para ser medido e ensacado.

Nalguns casos o centeio era o último a ser ceifado, e destinava -se à alimentação do gado, ou aproveitava-se para fazer farinha (era moído).

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