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 Ruas da nossa Terra

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Antonio Mendes



Número de Mensagens : 823
Data de inscrição : 24/07/2008

MensagemAssunto: Ruas da nossa Terra   Ter Out 14, 2008 2:28 pm

O seu primeiro nome foi Rua dos Serrados, e chamava-se de 28 de Maio quando a revolução de Abril a baptizou com o nome actual. É uma rua que só nos anos 50 do século passado se começou a expandir para lá das casas do ti Caldeira e da ti Elvira, moradia que ainda hoje e muito bem, mesmo depois de algumas obras mantém a frontaria com a traça tradicional.


Onde hoje se situa o "Café do Luís" e a Rua 1º de Maio começa (lado direito) as casas existentes eram da família Moura, num conjunto que vinha da (actual) Farmácia ao João Moura (porta 6). Existiu ali uma estalagem, o que é reforçado pelo facto do Largo em que situava ter precisamente esse nome -da Estalagem- e até porque a última pessoa que ali viveu antes do senhor Alexandre Moura comprar o imóvel era conhecida por D. Ana da Estalagem.
O senhor Alexandre Moura veio para Montargil em 1880, mais ano menos ano, foi viver para a Farinha Branca e depois viria a fazer a sua compra ao lavrador Vicente, então seu proprietário.
Entre outros instalavam-se ali os "caleiros" da Casa Branca quando aqui se deslocavam, e os ciganos (de origem "caramela"). Há no entanto quem refira também os GNRs quando vinham de Ponte de Sor aqui fazer serviço.
Entretanto, uma outra Estalagem, propriedade dos avós maternos da Rosete Moura (Senhor Francisco e senhora Joaquina) funcionou também, nas casas que são hoje do Dr. Rui Rosado (frente à Barbearia do António Augusto) na hoje Rua do Comércio, então Rua Grande ou da Frente.
Entretanto, a estrada (hoje Rua Luís de Camões) só começou a ser aberta nos anos 40, encontrando-se nesse espaço a taberna do António Moura -que no quintal tinha os tabuleiros do "chinquilho",- e que passou para o sítio onde hoje se encontra, agora já propriedade do senhor Joaquim (da Shell).
Um pouco mais à frente existia a Padaria da ti Angélica (minha avó materna e onde ainda trabalhei como padeiro). E se me é permitido um aparte quero dizer que gostava muito da profissão, mas ao regressar do serviço militar contraí uma tuberculose e mudei de ofício, fui para ajudante de escriturário do Hospital. Era então director clínico do mesmo um jovem médico que passara a juventude aqui na terra e se chamava Joaquim António Machado Caetano. Exactamente o hoje famoso Prf.Dr. Machado Caetano.
Curiosamente, tratava-se de um hospital pequeno com 5 quartos de duas camas cada, um dos quais destinado a partos. Exactamente, havia uma Maternidade Mas também ali havia um Serviço de Radioscopia, e um outro de Estomatologia.
Mas mudemos de assunto, que este é um tema para maior desenvolvimento e há quem o faça melhor do que eu.
Um pouco à frente da Padaria, ficava a loja de carpinteiro do Mestre Jaime, também um excelente músico, que esteve na guerra de 14/18 e de onde voltou mais tarde por ter estado prisioneiro. A sua chegada a Montargil teve honras de Banda de Música que estava parada e se reorganizou para o efeito. E terá começado aqui, na música, a era Alves do Carmo. E chegamos assim à direcção das já citadas casas do ti Caldeira, onde o Francisco Fortio de Oliveira (O Chico da Elvira) ainda trabalhou como alfaiate.
Mas regressemos ao início da Rua, e atentemos no casario do lado esquerdo. Onde hoje existe uma "florista" e funcionou até há pouco um "escritório de contabilidade", (porta nº1) havia duas oficinas, uma de "alfaiate", do António Godinho" (à esquerda) e outra de "sapateiro"(à direita) que era do pai o ti António Oleiro. Logo a seguir, lá está ainda o "Café Apolo", que durante muitos anos foi gerido pela Ti Joana, hoje com oitenta e tais, a mulher que ainda faz o "pirolito" para chupar. Antes e ao que me dizem, e isto por simples curiosidade, existia uma casa pequena sem janelas, apenas e naturalmente tinha a porta. Mas há também quem me diga que a casa tinha uma janela pequenina. A seguir (porta nº 5) existiu o Café do Ti António Ruivo, que veio de Pavia.


Entretanto e digno de referência (hoje porta nº 11) aí pelos finais dos anos 30 do século passado, princípios de 40, existia uma barraca de madeira onde funcionava a carpintaria do senhor Viterbo Prezado (pai do Tiérico), e na parte de trás, por conseguinte já no Outeiro, a "barraca" também em madeira onde vivia o Maçapão.
Nessa altura, sendo Salazar considerado um bom gestor, dizia-se que o gostavam de o ver era a governar a casa do Maçapão.
No espaço da carpintaria, os meus pais viriam a construir uma casa, onde fomos viver aí por volta de 1948.
Mas continuando pela esquerda da Rua 1º de Maio tínhamos a "loja de ferreiro" do José Espanhol (José Brites de Castro). Ali trabalhou também um filho e julgo que o irmão, conhecido por "Entrudo" (António Brites de Castro) e que depois se instalou em Foros do Arrão.

A seguir, uma casa onde a senhora Felizarda vendeu carvão, casas estas situadas num ponto mais alto. Voltando ao nível normal da rua, havia então a "oficina" do Manuel Ferrador.
A propósito de "oficina de ferrador" lembro-me desta, e de uma outra no "Cantinho do Céu" que foi do Fernandes e do Joaquim Pombo, de uma que o António Pereira teve na Rua das Amoreiras, além da que o Augusto Ferrador (Augusto Maria de Castro) possuía na Rua Movimento das Forças Armadas. Não sei se foram simultâneas.
E passando pelo início da Rua do Outeiro, tivemos mais uma loja de carpinteiro, do Manuel Carapa, chegando igualmente às casa do Ti Caldeira, a seguir à qual se ergueram mais umas tantas casas de habitação, e depois um vazio até um terreno devoluto onde se viria a construir o actual Posto da GNR.
Mas do lado esquerdo temos ainda a assinalar a casa do Avelino Batista, um excelente pedreiro, e uma oficina de sapateiro do Joaquim Vieira, que sendo também músico de vez enquanto lá estava agarrado ao clarinete. Entretanto, a rua é desviada para uma subida que nos leva ao hoje chamado "Cabeço do Outeiro", onde foi construído em 1975 o segundo depósito para a água. Numa da últimas casas (ao cimo) residiu nos últimos anos de vida o senhor Aníbal Vicente, um excelente artesão em madeira e cortiça.
Um desabafo, entretanto: - gostava que a essa subida fosse dado o nome de "Calçada da Rádio", já que lá em cima, num cubículo por baixo do depósito, funcionou durante algum tempo a "Rádio (pirata) de Montargil" de que me posso talvez considerar o terceiro fundador, para o que fui convidado pelos homens da ideia, o Jorge Fernandes e o Engª Joaquim Manuel. O primeiro microfone, não me esqueço, estava seguro numa mola de roupa.
Mas continuando a viagem, existiu a oficina de carpinteiro do Luís da Teresa (Luís Lopes Brites)
Creio que o Miguel Sapateiro ainda aí trabalhou nas casa onde vivia, e a terminar a rua, a nova oficina do senhor Viterbo para onde terá ido quando abandonou a "barraca" a que já nos referimos. Ele foi substituído pelo filho Tiérico, que por sua vez tem agora o genro no seu lugar.

NOTA: Todos estes trabalhos que sobre a "História de Montargil" estamos a publicar, certamente contêm omissões e mesmo alguns erros. Agradecemos por isso que todos aqueles que os mesmos detectarem nos contactem, já que estes e outros trabalhos virão a curto prazo (?) a integrar a "Monografia de Montargil" ou outra obra e bom será que o sejam o mais correcto possível.
Importantes também serão algumas fotografias desse tempo, as quais naturalmente serão devolvidas.


Lino Mendes


Última edição por Antonio Mendes em Ter Out 14, 2008 6:57 pm, editado 2 vez(es)
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: Re: Ruas da nossa Terra   Ter Out 14, 2008 6:00 pm

Sai da Rua S. João de Deus e termina na Rua das Amoreiras. À direita temos umas casas bem antigas da família "Banzinha" e, salvo erro, foi a senhora Celeste a última que lá morou. Em frente e à esquerda temos a Travessa de Santo António. Logo a seguir, apenas intercalada por uma outra moradia, em degradação, a sede em que se finou a "Sociedade Artística Montargilense"


que anteriormente tinha estado sedeada do outro lado da rua, onde vive hoje o senhor José do Engarnal (Nº14). Inicialmente funcionou também "na parte que dá para a Rua da Misericórdia" e onde morou a senhora Edvige Pailó.

Esta rua tem a particularidade de ser atravessada por uma ponte, ligando o prédio que foi do senhor António Sousa Prates ao quintal da mesma família que tem frente para a Estrada Nova (Rua das Amoreiras). Hoje é uma rua que "no tempo" sofreu grandes alterações, mas ali existiram duas oficinas de carpinteiro (Zé da Amélia) no canto direito junto à "ponte" e Manuel Perneta, (no portão que tem hoje o nº26) e ainda uma de Alfaiate (Simão Carneiro). Quase no final da rua e do mesmo lado, viveu a ti Ilda Pina, (hoje nº52) que vendia tremoços e pirolitos de chupar, nomeadamente no "mercado da praça". Mesmo em frente e onde hoje é o "Cantinho do Céu" funcionou uma padaria (Maria Eulália/Lourenço Godinho).


Mas regressemos ao início da rua e paremos na Travessa de Santo António:



Foi construída no pós-25 de Abril, era presidente da Junta o senhor Vital Campino e da comissão administrativa da Câmara Municipal fazia parte o senhor António de Castro Pina. Todo o espaço hoje ocupado pela travessa era piçarra, e foi longo o tempo que a obra demorou. Mas tinha que ser, pois foi "tudo feito a sangue" dizia-me o senhor José do Engarnal. Nunca tinha ouvido esta frase, que significa "foi tudo feito a pulso", dado não haver máquinas que o fizessem.



As duas primeiras moradias, em degradação, têm as traseiras para a travessa e na parede, uma janela pequena e ao lado desta, duas lajes unidas incrustadas na mesma.

E é ainda o senhor José que nos diz, era onde os "mouros" colocavam os figos a secar para se transformarem em "passas". Historicamente não estará certamente correcto, mas quanto ao uso dado tudo indica que sim. Mas seria interessante saber como a referida frase chegou aos nossos dias.

De referir ainda, quando "piçarra", os bailaricos que ali se faziam, em especial as fogueiras pelos "Santos Populares" com relevo pelo Santo António. Havia uma grande entreajuda entre a juventude que engalanava sempre o local, enquanto com uns tantos músicos o amigo "Fouchinha" arranjava a "orquestra de serviço", o que igualmente acontecia noutras situações.

Lembram-nos entretanto, que uns anos antes, no lado direito houve um nicho com a imagem de Santo António.

Mas deixemos esta rua, não sem antes referir que do lado direito, junto à já citada ponte fica a "Travessa da Escola Velha" e entremos na Rua das Amoreiras:







Ainda lá se encontra uma dessas árvores, mas uma outra foi abatida. Era anteriormente, a partir de 1910, conhecida por "Estrada Nova" e mais à frente explicaremos por quê.


Começa (lado esquerdo) na "empena" do nº45 da Rua da Misericórdia, quando do lado direito fica a casa do senhor Dr. Amândio (hoje sem nº) também da Rua da Misericórdia) e já na Rua das Amoreiras lá está o portão que dá para o respectivo quintal onde algumas vezes se deu cinema. Dada a grande chuvada dessa noite, o filme "A Maria Papoila" ainda é recordado por algumas pessoas.

Na sequência da rua, um pequeno "largo" a cargo do "Cantinho do Céu" e que é, até com certo tipismo, um local de venda de "frango assado" que ali mesmo pode ser servido. Mais ou menos ao meio, um "marco" ali colocado quando em 1936 a água canalizada chegou a Montargil. Espera-se agora, que o bom senso de quem manda não o deixe dali retirar.

Mas, por quê, "Cantinho do Céu"? Como nasceu esse nome?
Não sei se tem veracidade, mas conta-se que o antecessor do actual dono tinha duas filhas, e que a raparigada da zona ali se juntava quando vinham ao "marco" buscar água, claro que para a rapaziada aquilo ali era um "Cantinho do Céu". Rapaziada que se juntava na "Pedra da Miséria" logo ali à entrada da hoje "Rua Manuel Alves do Carmo". E "da miséria" até hoje não consegui saber por quê.

Mas, recuando no tempo, ali naquele mesmo largo existiu uma “loja de ferrado". Um pouco mais à frente, e posteriormente, funcionou a “oficina de sapateiro" do António José. Entretanto, a Rua das Amoreiras que ainda hoje é conhecida também por Estrada Nova, na actual configuração começa a existir em 1910, data em que foi inaugurado o Cemitério e a estrada teve continuidade até à actual EN 2, para o que teve que ser cortado um cabeço conhecido por "Quintal dos Touros". Aliás, no sítio onde mora hoje o António Joaquim Dias (Tanaza) e moraram o Chico Manassa e a mulher, a Amália, e creio que o António Maria Cardoso e a mulher) bastantes anos antes existira uma casa que era conhecida como "Casa da Panela da Boda", presumindo-se que ali faziam casamentos.

Mas então, qual o caminho para Mora antes da estrada ser aberta? Embora a carreira apenas funcionasse no trajecto Montargil -Ponte de Sor e regresso (era a empresa Capucho), a verdade é que outras viaturas, mesmo de carga, iam até Mora. Ao que me dizem, iam pela vila, passavam pela hoje Rua S.João de Deus que na parte final era mesmo um "caminho", entravam noutro caminho que ainda hoje se vê, paralelo ao cemitério, e atravessavam o rio pela Ponte (em madeira) da Tojeirinha.
Aberta que foi a estrada construíram-se as casas que lá se vêem hoje, e numa delas funcionou um "Depósito de Pão" do ti Alfredo (Alfredo Pais de Andrade). Mesmo em frente, no então Quintal do Joaquim da Amieira, chegou a dar-se cinema e a organizar mesmo uma espécie de "Feira Popular"

Também ali na Rua das Amoreiras funcionaram a loja de carpinteiro do senhor José do Cabeço, e a de ferrador do António Pereira. Frente às duas, a oficina de Ferreiro dos "Labecos", mais tarde dos irmãos José Arlindo e Joaquim Carlos, "mestres" famosos na arte de fazer "enxadas" e "machadas" e que todo o mundo procurava. Contam-me até, que à porta desta oficina havia uma pedra enorme e ali se juntava a rapaziada como que disputando campeonatos a ver quem a levantava melhor.

Refira-se que nesse pequeno largo até há poucos anos funcionou a "última tasca" de Montargil, e um pouco mais adiante ainda hoje existe uma loja de sapateiro (a última da terra) onde o senhor Abel, com os seus 83 anos continua a trabalhar no ofício. Foi inicialmente sapateiro, foi lá para baixo para as obras e voltou à terra para ir fazendo uns biscates. (ir lá para baixo era ir para a zona de Lisboa)


É também ali, no pequeno largo em que a rua termina, que está a entrada para o Cabeço de Santo António, sobre cuja Capela já há referências datadas de 1713 e que Jorge Mangerona considera uma "jóia de culto popular que se impõe por uma localização ímpar, que urge preservar da ignorância e ganância dos homens e que é um miradouro único que, em qualquer parte do país seria já (estávamos em 1993) uma zona de lazer devidamente preservada e conservada".



Lino Mendes
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Antonio Mendes



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MensagemAssunto: RUA DO COMERCIO   Qui Nov 20, 2008 8:09 pm

Rua do Comércio


Foi nesta rua que eu nasci, e onde vivi salvo erro doze ou treze anos. Então era conhecida por Rua Grande, por Rua da Frente ou ainda por Rua Direita. Tinha algumas dúvidas quanto a este último topónimo ( nome ) mas constatei a sua veracidade ao saber que a licença da primeira “praça de carro de aluguer” que aqui houve era esse mesmo nome que registava. Há uns sessenta anos era uma rua com imenso movimento, com muitas lojas e oficinas instaladas.
E da minha meninice ali passada, três factos me ficaram para sempre na memória---o dia do “ciclone”, outro em que a GNR disparando para o ar meteu toda a gente em casa, devido a um confronto com rapaziada da “inspecção”, sendo o outro a notícia de que um rapaz ficara sem a mão direita na Festa do Senhor das Almas, ao pegar numa”bomba” que não rebentara . Era o António Pina, depois também conhecido por “Maneta”,que viria a ser “serrador” e morreu recentemente.

Mas comecemos a viagem do hoje Largo de S. Sebastião. Logo à direita, a oficina de barbearia mais tarde também de sapateiro( mesma casa) do senhor Manuel Airoso(Manuel Augusto Lopes), e logo a seguir, pegada , outra barbearia(José Trindade Pina), mas onde antes o Manuel Carola( Manuel David Ferreira) tivera uma loja de fazendas, e na porta seguinte, uma outra loja de sapateiro, do Chico Lourenço(Francisco Carlos Macedo). Entretanto julgamos saber que um pouco mais à frente, vivia e trabalhava como costureira , a senhora Maria Augusta Ferreira ( da Alta) e também o José Ginga ali trabalhou como Sapateiro.
Do outro lado da rua, havia a loja de alfaiate do João da Florindo(“Cabeça de Burro”), e há quem diga mas também quem desdiga, que o José Cardoso teve na mesma casa uma barbearia.

Continuando entretanto a descer pela direita, na casa onde eu nasci, terá havido antes uma loja de sapateiro, do mestre Hipólito ( meu avô), ao que me disseram o maior artista de Montargil e arredores mas que pouco lá parava. Conta-se até que um dia saiu à noite e deixou o aprendiz ,a fazer serão, com a condição de trabalhar até a luz do candeeiro se apagar. Pensando ter uma ideia genial, toca este de meter água no candeeiro o que, como compreenderão, fez vir ao de cima o petróleo durando a luz mais tempo. Dizem-me também, entretanto, que na casa em frente que hoje é do senhor Carapinha e fazendo esquina com a Travessa(da piçarra ) havia uma barbearia de um Lã Branca.

Mas continuemos, pela ala direita. A alfaiataria do Arlindo Godinho, terá funcionado inicialmente onde hoje se situa a loja do Ferreira, mas feitas as partilhas pela morte da sogra, passou mais para baixo, ficando entre duas tabernas, a taberna do senhor José Gabirra(que salvo erro era de Almeirim)e a taberna do Augusto Delgadinho, onde se cantava o fado, e ainda o vi saltar para cima do balcão e sapatear Ao que disseram, havia cá um “guarda florestal” que bailava o fandango em cima de uma mesa ou de uma “medida de madeira” e ele queria imitar .
Continuando, vamos encontrar a mercearia do senhor João Tomé, ainda hoje a funcionar, o edifício dos Correios que tinham transitado da Rua do Norte (já no tempo da D .Ermelinda) e onde mais tarde o José Francisco(Cardeirinha) teve uma tasca.


À ponta, fazendo esquina com a Travessa (hoje) dos Combatentes e funciona hoje dos Centro de Convívio dos Idosos e Reformados foi a sede da Legião Portuguesa. Antes, porém, o Rasteiro(Manuel Vicente Godinho) tivera aí uma loja de fazendas ,e fora Escola onde a D .Antónia Pedro dera aulas. Falou-se também, mas não temos provas de uma “estalagem” já mais para trás no tempo.

Recuemos ao lado direito ,e no final das escadinhas da Piçarra, havia a alfaiataria do senhor Ildefonso Mendes de Oliveira, de que é viúva a senhora Maria Luísa Pires, e logo a seguir era a taberna do senhor Manuel Pedro-- mas antes e no mesmo sítio vivera o Vítor Brazagal(Vítor Ferreira) que nas traseiras tinha uma carpintaria. Nessa mesma casa, e no primeiro andar, no tempo da taberna trabalhava como costureira ( com várias aprendizes,) a senhora Maria Vitalina, casada com o António Pedro( Peliosso), que julgamos ter sido alfaiate e que, quando migrou para Lisboa, todos os fins de semana corria os Hospitais visitando os Montargilense internados. E de novo o Rasteiro, (depois de algum tempo no Conqueiro) mas agora com uma taberna em cujo quintal ,das traseiras, se jogava chinquilho. Logo ao lado, a (drogaria)—ferragens e tintas—do filho Manecas(Manuel Garcia Godinho).



E chegámos à Travessa do Poço ( de um lado )e à Travessa dos Combatentes (do outro. )E continuemos pelo lado esquerdo…

A fazer esquina, temos logo o Café(que ainda hoje funciona)mas não já a Pensão e…a Barbearia do Pailó(João Ribeiro Marques).Eu ia lá cortar o cabelo mas nunca quando a telefonia estivesse a transmitir um jogo do Benfica, porque ao mesmo tempo que a tesoura trabalhava(ou a navalha a quem fizesse a barba ,o “ mestre” ia dando pontapés na atmosfera, remate do Benfica era certo pontapé no ar .Recorda-me ainda, quando com os meus vinte e tais anos promovi a vinda de uma equipa juvenil do Benfica, os atletas comeram lá na Pensão a vinte mil reis por pessoa .Ao que parece primeiro foi montada a barbearia ,depois uma taberna que se transformou em Café e acrescentou a Pensão com o advento da construção da Barragem.

Mas logo em frente, um outro Café ,o do Saguim, mais tarde e ao que julgo, do pai do António do Café, que salvo erro era conhecido por José Barimbalhas Ali houve outro Café ainda ,o do Joaquim Velhote ( Joaquim Alberto da Silva)mas numa outra casa, na casa do senhor José Courinha e onde vive o Dr. Eugeny (Veterinário) Voltando ao outro lado da rua, temos uma mercearia, a do Aires(Ribeiro Frade) e da ti Germanas-- logo pegada a Barbearia do Rascão, a loja do José Mendes, e a mercearia e taberna do João Caetano(o Caçurras) que no respectivo tempo dali ( da porta) apregoava com uma campânula castanhas e amêndoas. Do outro lado, a Farmácia Jordão, que estava entregue ao senhor Silva (;Manuel Silva Godinho) e que era um ponto de encontro e de saber algumas novidades. Pela mão do meu avô Hipólito ia lá muita vez ,entretinha-me a ver “manipular” alguns remédios que ali eram feitos. Quem lá ia também muito era o P. Silveira que um dia ficou muito zangado quando alguém disse ,não me recorda quem, que tinha acabado de jantar e ficara que nem…um Padre.
Recorda-me também, então já na Escola, que o professor Vieira deixava ali o tabaco a guardar, e quando queria fumar mandava um aluno ir buscá-lo. E, talvez não soubesse, mas antes de ali ser instalada, a Farmácia estivera nas casas do Pailó, a que já nos referimos.

E chegámos a duas novas Travessas que hoje ligando a Rua da Misericórdia à Rua 25 de Abril, então Rua do Norte ,constituem a Rua Manuel Alves do Carmo a Rua, o saudoso Bábau ,um músico de excelência e um “marceneiro” de real qualidade. Veja-se ainda hoje as portas de entrada do edifício que era então do senhor Manuel Augusto Courinha(frente à barbearia do José Trindade.)

E continuamos, pela esquerda. Logo à esquina, temos a “relojoaria” do Manuel Pungam ,a mercearia e pensão da Conceição Courinha(Gangas) minha madrinha),onde, ainda muito novo, e na companhia do meu avô conheci o grande acordeonista Vitorino Matono. Recordo-me até, dele me perguntar se eu já sabia quais eram as notas de música .E eu até já sabia. E com o intervalo de uma casa, uma nova hospedaria---a Pensão Faca. Era do pai Vicente, avô do Jacinto e da Cristina que tinha também taberna.

E chegámos à Praça ,mas recuamos ainda ao lado direito da rua, onde mais tarde o António Júlio (pai do Jorge de Castro) teve um Café, mas antes ,muito antes, existiu a loja do José Cândido. Foi ali que se projectou o primeiro cinema em Montargil ,e seria a casa com mais condições de tal modo que foi aí que o senhor Arcebispo foi recebido numa visita a esta terra. Também se diz que ali terá funcionado a Câmara Municipal, mas não haverá nada de concreto sobre o assunto .Entretanto, a um dos lados ,e por uma porta mais pequena, terá havido uma loja de sapateiro do Barriga(Manuel de Jesus Courinha) que ali trabalhara com o filho e outros oficiais.
Logo a seguir, pegada, mais uma loja de comércio e fazendas, propriedade de João Tomé Fouto(pai de Joaquim Manuel Fernandes) , e onde terá também funcionado uma pequena relojoaria do pai do Manuel Relojoeiro que, possivelmente se terá passado mais tarde, como ja indicámos para o outro lado da rua. Entretanto temos a seguir uma pequena loja de José Batista Lopes e depois ,onde hoje funciona a Esprifor, uma casa de tabaco e ferragens de Gabriel Nogueira..E a seguir, uma loja de tecidos de Júlio Martins.

E estamos de novo na Praça, certamente um lugar nobre no passado, e onde a nossa Música ainda de noite e no 1º de Dezembro tocava a Alvorada. E era ali que o senhor “Jiaconete”(Fernando dos Santos de Oliveira) empregado da Câmara Municipal, colocava e levantava as bancadas para o “mercado de todos os domingos de manhã. Também a ele lhe competia todos os dias à tardinha acender os candeeiros da iluminação pública ,e era vê-lo todos os dias à tardinha, de escada às costas do lado esquerdo e vasilha(e a respectiva medida)com petróleo na mão direita. Sucedeu neste serviço ao senhor Manuel Raposo.


Um pouco mais à frente, a casa onde funcionou a “Sociedade dos Lavradores” , o consultório dr. Coutinho ,e ainda um depósito de pão do Mestra Alfredo(meu sogro).


E temos mais duas Travessas e para ambas o topónimo das Escadinhas.
Continuemos pela esquerda.O “Grémio da Lavoura” onde trabalhava o senhor João Augusto Courinha ; depois a loja de alfaiate do senhor João Maria Godinho que hoje ,com mais de oitenta trabalha ainda na Rua Joaquim Manuel Fernandes, porta Nº5,e a taberna do José Vicente que também consertava chapéus e boinas.




E mais uma taberna, pensão e barbearia do Fonseca. Quando era ele que fazia a barba era sabido que o freguês abria a boca para consumir a aguardente que ele punha em vez do álcool. E digno de registo desse lado até ao final da rua, a cervejaria da Angélica Carramanacho(Angélica Pina de Castro) a Casa Travassos e Pina e o Posto da GNR-local onde mais tarde se deu o embate com o grupo animado que festejava o enterro do Entrudo. Também lá ia, fiquei sentado na frente do carro que avançou contra o grupo. Nomes…não vale a pena hoje citar.

Recuemos, entretanto, ao outro lado da rua. Temos a loja do Manuel Nogueira Lopes hoje ainda a funcionar por conta do Joaquim Vital, Mas antes estivera lá a alfaiataria do Augusto Paulos Lourenço, o João Gaspar com sardinhas e carapaus ,e ainda a Júlia Gaspar com mercearia. Quando o Manuel Nogueira Lopes ali se instalou, a alfaiataria de Augusto Paulos passou quase para o fim da rua, onde o Virgílio Nogueira Fernandes montou a sua sapataria e onde ainda trabalhara o senhor João Maria ,estivera o Fonseca com barbearia e taberna e o Matono( Manuel Vasco Matono) com fazenda

Era a rua principal, onde não faltavam os pregões, onde tinha lugar a “praça do trabalho”um acontecimento que admirava quem por aqui vinha, pois da drogaria do Manecas à Praça era um mar de gente que eu acredito, se uma maçã caísse do alto ficava em cima de uma cabeça.

Estava em Ponte de Sor um senhor Delegado Procurador da Republica que considerava isso como um“mercado de escravos”---afirmação com a qual não posso concordar, e nos merecerá no futuro um trabalho específico.


Lino Mendes
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