G.P.S.C. de Montargil
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     O PESSEGO DE MONTARGIL

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    AutorMensagem
    Antonio Mendes



    Número de Mensagens : 823
    Data de inscrição : 24/07/2008

    MensagemAssunto: O PESSEGO DE MONTARGIL   Sex Set 19, 2008 7:16 pm

    O PÊSSEGO DE MONTARGIL

    Uma realidade
    que a Europa tornou desencanto






    Foi com enorme expectativa que durante alguns anos esperei que o desenvolvimento desta terra passasse por uma “Zona demarcada de Pêssego”, não era para menos face aos prémios que iam sendo alcançados, mesmo no estrangeiro, de que é exemplo a “Medalha de Ouro” que em 1984 é atribuída em Madrid “ao pêssego em calda da região de Montargil”, igualmente confirmativo das excelentes condições da região para aquele tipo de produção. Segundo o ARAUTO do mês de Março do referido ano,”na última campanha foram já produzidos nesta região mais de três mil toneladas de pêssego próprio para a indústria, “que era uma produção com o maior interesse para a CEE.
    E foi com o objectivo de “desenvolvimento” que aparece a I FEIRA DO PÊSSEGO.

    Naturalmente teria a que haver renovação que um pessegueiro, sendo uma árvore que “se faz” depressa, terá um tempo de vida em função do terreno em que estiver plantada. Se o estiver num terreno próprio, arenoso e permeável às águas, poderá durar de 15 a 20 anos, mas se assim não for e estiver num terreno de barro e impermeável, encharcado, pode até não durar 10.E como seria fundamental a existência de uma “Associação de Produtores de Montargil” que os defendesse das dificuldades com que se deparavam.

    Em 1964 não havia na região de Montargil pomares de pessegueiros. Apenas nas hortas e quintais e misturados com outras fruteiras se encontravam pessegueiros, quase sempre filhos de variedades espontâneas locais –. É em 1965 que no BEIRÃO aparece o primeiro pomar propriedade do senhor Francisco Ferreira Rosa( o popular Chico dos Pêssegos) e um segundo um a dois anos depois na ALDEIA DAS SEBES, propriedade do Engº Prates Canelas ,e outros se seguiram a partir aí de 1971---RASQUETE, PINTADINHO,VALE DE VILÃO, VÁRZEA…
    Em Março de 1992 havia mais de 750 há. Com diversas variedades e com preponderância dos “pêssegos de “roer”, também chamados pavias, usados para consumo em fresco, e para a indústria de conserva em metades, e ainda para o fabrico de sumos.
    A região de Montargil era na altura a mais concentrada e importante zona produtora de pêssegos no nosso país, produzindo anualmente mais de seis mil toneladas, daqui saindo mais de 50% do abastecimento de pêssego para a indústria nacional.

    A Charneca de Montargil---disseram-nos na altura--e nomeadamente o Terraço, com mais de 5000 has. situado entre esta vila e Ponte de Sor, na margem direita da Albufeira, tem excelentes condições para a cultura do pessegueiro, com solos bem drenados e que aquecem com facilidade, produzindo frutos bem corados e ricos de açúcar. E ácidos, o que lhes confere as características de sabor e de qualidade ímpares.
    Na altura estava mesmo em estudo um projecto para a demarcação da zona da Charneca com características adequadas para a produção deste já consagrado pêssego de Montargil, a fim de lhes ser atribuída a denominação de origem. Pêssego por cuja chegada se estava sempre ansioso.


    Na altura, e como já dissemos em 1992, os produtores estavam entusiasmados com a ideia, e aguardavam que a C E E atribuísse os necessários apoios para esta política de qualidade, assim como desejavam poder proceder à renovação dos pomares mais idosos assim como para a plantação de variedades mais produtivas e modernas sem quebra na tradicional qualidade.


    Refira-se entretanto que o plano integrado de plantações, foi iniciado em 1971 através da Cooperativa do Divor e com orientação técnica do Engº Prates Canelas e que só de 1971 a 1975 foram plantados mais de 500 has.de pessegueiros localizados ao longo da estrada Montargil-- Ponte de Sor.

    Entretanto e ainda na altura (1992) só cerca de metade das plantações tinham menos de dez anos de idade, estando as mais velhas a chegar ao fim da sua exploração económica. Daí a grande importância de um novo plano que permitisse a substituição dos 350 has.de pomares de pessegueiros que teriam que ser arrancados nos três anos seguintes.

    Entretanto e em Março de 1993 O Engº Rui de Sousa falava-nos sobre o futuro dos Pêssegos de Montargil, dizendo que a sua reconversão e renovação seria tema para a próxima FEIRA. Havia Pomares já um pouco envelhecidos, pelo que havia necessidade da sua reconversão, adaptada às novas exigências do mercado.

    Presentemente, os pêssegos quase que não existem…


    Agosto de 2008-08-23
    Lino Mendes


    Última edição por Antonio Mendes em Qui Out 02, 2008 4:23 pm, editado 1 vez(es)
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    Amélia Rita



    Número de Mensagens : 14
    Data de inscrição : 29/08/2008

    MensagemAssunto: Re: O PESSEGO DE MONTARGIL   Ter Set 23, 2008 1:24 pm

    [quote="Antonio Mendes"]O PÊSSEGO DE MONTARGIL


    Presentemente, os pêssegos quase que não existem…]


    Crying or Very sad

    E se tivesse havido empenho por parte da Câmara de Ponte de Sôr, os resultados seriam outros?
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    Antonio Mendes



    Número de Mensagens : 823
    Data de inscrição : 24/07/2008

    MensagemAssunto: Um artigo já com uns anitos...   Ter Out 14, 2008 12:39 pm

    Foi com enorme expectativa que durante alguns anos esperei que o desenvolvimento desta terra passasse por uma "Zona demarcada de Pêssego", e não era para menos face aos prémios que iam sendo alcançados, mesmo no estrangeiro, de que é exemplo a "Medalha de Ouro" que em 1984 é atribuída em Madrid "ao pêssego em calda da região de Montargil", igualmente confirmativo das excelentes condições da região para aquele tipo de produção. Segundo o ARAUTO do mês de Março do referido ano, "na última campanha foram já produzidos nesta região mais de três mil toneladas de pêssego próprio para a indústria, "que era uma produção com o maior interesse para a CEE.
    E foi com o objectivo "desenvolvimento" que em 1987 aparece a I FEIRA DO PÊSSEGO. A segunda edição - um êxito - em Julho de 88 e durante um pouco concorrido colóquio, foi anunciado que a FEIRA/89, (16/7) seria "a consagração de Montargil como Capital do Pêssego". Seria então inaugurada a Central Fruteira, a funcionar nas instalações da ex-Hortil, ao Pintadinho, esperando-se a presença do Presidente da Câmara (Mayor) da cidade de Jonston (Califórnia) com a qual se pretendia a geminação com Montargil.
    Naturalmente teria que haver renovação que um pessegueiro, sendo uma árvore que "se faz" depressa, terá um tempo de vida em função do terreno em que estiver plantada. Se o estiver num terreno próprio, arenoso e permeável às águas, poderá durar de 15 a 20 anos, mas se assim não for e estiver num terreno de barro e impermeável, encharcado, pode até não durar 10. E como seria fundamental também a tão propalada "Associação de Produtores de Montargil" que os defendesse das dificuldades com que se deparavam. Mas não havia espírito associativo. Quanto à qualidade, dizia-me há dias um ainda produtor, a mesma também tem a ver com o adequado tratamento que é feito ao pessegueiro.
    Em 1964 não havia na região de Montargil pomares de pessegueiros. Apenas nas hortas e quintais e misturados com outras fruteiras se encontravam pessegueiros, quase sempre filhos de variedades espontâneas locais. É em 1965 que no BEIRÃO aparece o primeiro pomar propriedade do senhor Francisco Ferreira Rosa (o popular Chico dos Pêssegos) e um segundo um a dois anos depois na ALDEIA DAS SEBES, propriedade do Engº Prates Canelas. E outros se seguiam a partir aí de 1971 - RAS-QUETE, PINTADINHO, VALO DE VILÃO, VÁRZEA…´
    Em Março de 1992 havia mais de 750 há. Com diversas variedades e com preponderância dos "pêssegos de "roer", também chamados pavias, usados para consumo em fresco e para a indústria de conserva em metades, e ainda para o fabrico de sumos.
    A região de Montargil era na altura a mais concentrada e importante zona produtora de pêssegos no nosso país, produzindo anualmente mais de seis mil toneladas, daqui saindo mais de 50% do abastecimento de pêssego para a indústria nacional.
    A Charneca de Montargil, disseram-nos na altura, e nomeadamente o Terraço, com mais de 5000 has. situado entre esta vila e Ponte de Sor, na margem direita da Albufeira, tem excelentes condições para a cultura do pessegueiro, com solos bem drenados e que aquecem com facilidade, produzindo frutos bem corados e ricos de açúcar. E ácidos, o que lhes confere as características de sabor e de qualidade ímpares.
    Na altura estava mesmo em estudo um projecto para a demarcação da zona da Charneca com características adequadas para a produção deste já consagrado pêssego de Montargil, a fim de lhes ser atribuída a denominação de origem. Pêssego por cuja chegada o mercado estava sempre ansioso.
    Na altura, e como já dissemos em 1992, os produtores estavam entusiasmados com a ideia, e aguardavam que a CEE atribuísse os necessários apoios para esta política de qualidade, assim como desejavam poder proceder à renovação dos pomares mais idosos e para a plantação de variedades mais produtivas e modernas sem quebra na tradicional qualidade.
    Refira-se entretanto que o plano integrado de plantações, foi iniciado em 1971 através da Cooperativa do Divor e com orientação técnica do Engº Prates Canelas e que só de 1971 a 1975 foram plantados mais de 500 has. de pessegueiros localizados ao longo da estrada Montargil-Ponte de Sor.
    Entretanto e ainda na altura (1992) só cerca de metade das plantações tinham menos de dez anos de idade, estando as mais velhas a chegar ao fim da sua exploração económica. Daí a grande importância de um novo plano que permitisse a substituição dos 350 has. de pomares de pessegueiros que teriam que ser arrancados nos três anos seguintes.
    Mas falava-se também já no "2º Plano Frutícola de Montargil" e que face aos apoios previstos, estavam criadas condições favoráveis à organização e implementação de novas áreas e pêssego e ameixas. Plano que previa ainda a substituição de plantações envelhecidas e a instalação de plantações com novas variedades. Considerada então como uma das principais áreas frutícolas do país (cerca de 1200 hectares de pomares) a terra dispunha já de uma Central Fruteira moderna, adequadamente equipada para a concentração, normalização, embalagem, conservação e comercialização da fruta fresca. No entanto, quando em 29 de Março de 1992 se realizou a festa de "O Pessegueiro em Flor", na visita a alguns pomares, nomeadamente ao Beirão e a Montes Irmãos os produtores queixaram-se da falta de apoio técnico, da falta de compensação para o repovoamento e do grande investimento que era necessário para uma nova plantação. Entretanto e em Março de 1993 O Engº Rui de Sousa falava-nos sobre o futuro dos Pêssegos de Montargil, dizendo que a sua reconversão e renovação seria tema para a próxima FEIRA. Havia Pomares já um pouco envelhecidos, pelo que havia necessidade da sua reconversão, adaptada às novas exigências do mercado. Havia grandes possibilidades dos Pomares continuarem, até por se tratar de uma cultura de grande importância para a região, onde tem boas características, quer climáticas, quer de solo, para termos uma produção competitiva com os nossos parceiros da Comunidade, mesmo fora da Comunidade. Como eram os casos dos pêssegos que estavam aí a chegar, vindos do Chile e da Argentina, e que tinham características qualivegetativas completamente diferentes dos nossos, para pior.
    Falou-se ainda da festa promocional, das regiões de Montargil e Alcobaça, de uma Festa Nacional do Pêssego em Montargil. Digamos que…sonhavam se.
    MONTARGIL CAPITAL DO PÊSSEGO, foi afinal um sonho possível que se desvaneceu. Não que não haja por cá "bom pêssego" mas em quantidade ínfima ao que se desejaria.
    E por quê? À mesa do café ouvem-se as várias versões que nos chegam. Após a integração na CEE, e dada a invasão do pêssego espanhol passou a haver dificuldades de escoamento, e por exemplo, se algum chegou a ir para a COMPAL era para uma necessária mistura dada a falta de qualidade do vindo de Espanha; houve produtores que preferiram arrancar a fim de receberem o respectivo subsídio da já citada CEE; o respectivo ministro não soube negociar em Bruxelas perdendo-se a grande riqueza que era a nossa agricultura.
    Custa-nos verificar o desaproveitamento das terras excelentes que possuímos. Não esquecendo, garantiram-me, que era trabalho para cerca de 400 pessoas.

    Lino Mendes
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